REUTERS/Denis Balibouse
REUTERS/Denis Balibouse

Pico da covid-19 na América Latina ainda está por vir, afirma OMS

Entidade destaca que ápice dos casos depende da reação de cada governo à pandemia

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

24 de junho de 2020 | 13h39

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira, 24, que a América Latina ainda não atingiu o pico da covid-19. Por isso, é necessário manter as medidas de conteção do vírus até que a doença esteja controlada na região. Segundo o diretor do programa de emergências da entidade, Michael Ryan, é difícil prever quando esse pico chegará, pois depende da reação de cada governo à pandemia.

"Não é aconselhável reduzir as medidas de saúde pública. A situação na América Latina continua se ampliando, pois não chegou ao pico, e pode alcançar um número sustentado de casos e de mortes contínuas nas próximas semanas. Se não implementarmos essas medidas de forma eficaz, é possível que haja necessidade de lockdowns futuros. O pico está relacionado com o que fazemos. A duração, a intensidade, a redução, tudo está relacionado com a intervenção do país, do governo e das comunidades", explicou.

Ryan disse que há uma "tendência contínua" do coronavírus em diversos países da região. O aumento de casos nesses locais esteve entre 25% e 50% na última semana, dados que mostram uma "transmissão comunitária intensa". De acordo com o diretor, as orientações à população devem ser categóricas, para garantir o sucesso das ações de prevenção.

"Destaco aos governos nas Américas que deve haver uma comunicação muito clara com cidadãos sobre as medidas a serem tomadas. É importante que haja um investimento sustentado no sistema de saúde pública. A única forma de evitar o vírus é fazer um investimento muito forte para identificar os contatos, isolar, testar, tratar e rastrear os contatos de cada caso", ressaltou Ryan.

O diretor do programa de emergências reafirmou que uma aceleração ou redução do avanço da covid-19 está diretamente ligada à forma como cada um combate o vírus. Ele ressaltou que não há fórmula mágica para eliminar a covid-19, e sim um conjunto de medidas capaz de diminuir o impacto da doença. 

"O vírus se aproveita de sistemas de saúde deficientes, de uma vigilância fraca, do mau governo. O vírus se aproveita da falta de educação e da falta de empoderamento das comunidades. Se lidarmos com isso de forma sistemática, os números diminuirão. Não há solução milagrosa. Não podemos simplesmente querer que o vírus vá embora. Precisamos usar todos os recursos à disposição. É só olhar o que fizeram os países que controlaram a doença. E aí você terá a resposta do que precisa ser feito".

Escassez de oxigênio

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou sobre a falta de concentradores de oxigênio, necessários para tratar os casos mais graves de covid-19. Em seu discurso de abertura, ele chamou a atenção para o fato de 80% do mercado estar concentrado em poucas empresas. "Muitos países estão enfrentando dificuldades na obtenção de concentradores, que extraem e purificam do ar o oxigênio necessário para tratar pacientes graves, explicou.

Tedros destacou que, na taxa atual de um milhão de novos casos globais por semana, são necessários cerca de 620 mil metros cúbicos de oxigênio diariamente para os pacientes, o equivalente a 88 mil cilindros. O diretor anunciou que a OMS comprou recentemente 14 mil equipamentos, que serão enviados para 120 países, mas precisarão de mais 170 mil nos próximos seis meses, avaliados em cerca de US$ 100 milhões.

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