Pílula brasileira para emagrecer é investigada nos EUA

Pílulas para emagrecer conhecidas como ?brazilian diet pills? têm causado alvoroço nos Estados Unidos. Fabricadas e exportadas por empresas brasileiras, elas estão na mira da Food and Drug Administration (FDA), o órgão americano que regulamenta medicamentos. De acordo com reportagem do jornal Miami Herald publicada na semana passada, testes feitos em laboratório indicaram que algumas marcas de comprimidos fabricados com ervas no Brasil contêm anfetaminas e tranqüilizantes. Elas podem ter causado um distúrbio conhecido como cetoacidose diabética, que provoca hiperglicemia (o aumento da glicose no sangue) em alguns pacientes. Internet Os remédios não são vendidos no Brasil, apenas comercializados pela internet para os EUA. ?Nos últimos seis meses, duas pacientes na faixa dos 30 anos apresentaram cetoacidose de forma estranha?, afirmou ao Estado Peter Jude, porta-voz do Kendall Regional Medical Center, hospital em Miami. ?Elas tinham uma vida saudável. O único hábito duvidoso era o consumo das famosas pílulas brasileiras para emagrecer.? O jornal americano cita o caso da militar Yoani Garcia, que perdeu o emprego depois que o exame de sangue a que se submeteu na empresa onde trabalhava acusou a presença de anfetamina. ?O único medicamento que tinha tomado era a fórmula emagrecedora?, afirmou. Prescrição médica O psiquiatra Guido Palomba, diretor da Academia de Medicina de São Paulo, explica que é comum um redutor de apetite ter anfetamina. ?Ela age na região do cérebro responsável pelo apetite?, diz. ?Esses medicamentos só devem ser vendidos com prescrição médica, já que podem ter efeitos colaterais muito sérios, como aceleração cardíaca e dependência.? Nos Estados Unidos, as ?brazilian diet pills? se enquadram na categoria de suplementos dietéticos e, portanto, não precisariam do aval da FDA para entrar no país. Entretanto, não poderiam conter a substância. Fitoterápicos ?Nesse ponto, a legislação brasileira é mais rígida. Aqui, seriam considerados fitoterápicos?, explica Edmundo Machado Neto, técnico da Gerência de Fitoterápicos da Anvisa. ?Fitoterápicos são classificados como remédios e têm de passar pela análise da agência reguladora. Por isso, é mais difícil vender esse tipo de produto por aqui.? O maior apelo das ?brazilian diet pills? estampado nos sites de compra é o fato de serem feitas à base de plantas. O Emagrece Sim, por exemplo, tem dez composições, uma para cada etapa do tratamento com o remédio. A maioria é feita com ervas de efeito laxante (uma delas, a do primeiro estágio do Emagrece Sim, chega a ter quatro tipos de laxante), tranqüilizante e outra capaz de estimular o metabolismo. ?Essas misturas já são um perigo?, diz o psiquiatra Palomba. ?Só em casos muito raros a literatura médica indica mais de um laxante num tratamento.? Várias marcas Há várias marcas à venda no mercado americano, todas com nome semelhante. Além do Emagrece Sim, há o Emagrece Slim, Emagrece Thin e Herbathin. As embalagens também são muito parecidas, com pote de plástico branco e rótulo laranja. Idem para a composição (mistura de ervas naturais), efeito prometido (emagrecer dez quilos em cerca de um mês) e preço (média de US$ 180 por 30 dias de tratamento). Num dos maiores call centers e sites de venda de Miami, o Brazilian Diet, as vendas chegam a 40 unidades por dia - 35 pela internet e 5 por telefone. O Herbathin, chega a vender 60 por dia, 80% via internet, em um endereço de venda on-line próprio. Os atendentes afirmaram que nunca houve reclamação sobre os produtos. Outra acusação do jornal é o fato de algumas marcas não trazerem informações sobre as pílulas no rótulo - como o nome do fabricante -, além de ter explicações somente em português.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2006 | 09h25

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