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Pinguim gigante de 36 milhões de anos não usava 'smoking', mostra fóssil

Espécie descoberta em fóssil no Peru era duas vezes maior que o pinguim imperador atual

Associated Press, AP

30 Setembro 2010 | 16h27

Alguns pinguins antigos podem ter tido o dobro do tamanho dos atuais pinguins imperadores, mas não tinham o elegante smoking. Pesquisadores encontraram vestígios de um pinguim de 1,5 metro que vivia onde hoje é o Peru há 36 milhões de anos, e também descobriram penas fossilizadas que mostram que, naquela época, o pássaro usava uma mistura de castanho e cinza.

 

O artigo publicado na revista Science é mais que uma curiosidade sobre guarda-roupa. Análise do fóssil levou a uma descoberta sobre os pinguins atuais, o que levanta questões de sobre como suas penas evoluíram para fazer deles nadadores tão exímios.

 

Este é um dos maiores pinguins que já viveram, com tamanho estimado em o dobro do de um pinguim imperador médio. Trata-se da segunda espécie de pinguim gigante descoberta no Peru, e foi chamada de  Inkayacu paracasensis, ou Rei das Águas, parte de um grupo, hoje extinto, de espécies de pinguim que aparentemente ocupava boa parte do hemisfério sul.

Um golpe de sorte levou os paleontólogos a descobrir as penas. Um estudante do grupo de escavação, do Museu de História Natural de Lima, descobriu o pé do fóssil e notou que tinha escamas, evidência de uma rara preservação de tecido mole. Alertados de que poderia haver mais material do tipo, os pesquisadores procederam a escavação com cuidado redobrado.

 

"Ficamos muito entusiasmados", disse a paleontóloga Julia Clarke, da Universidade do Texas em Austin, que chefiou a equipe. "Fomos bem devagar, lasca por lasca, neste bloco gigante", e finalmente descobriram uma nadadeira com camadas de penugem e, por baixo, um corpo fossilizado também com penas.

 

Na superfície, elas se parecem com as penas dos pinguins modernos. Mas, numa análise mais aprofundada, as penas se mostraram bem diferentes. A forma externa aparentemente evoluiu antes de algumas mudanças microscópicas que podem desempenhar um papel no talento do pinguim para se deslocar debaixo d'água.

 

O pigmento deixou o fóssil há muito tempo, mas nas penas ficaram pacotes microscópicos chamados melanossomos, que em vida continham pigmentos. A forma do melanossomo corresponde a diferentes cores. Com isso, os pesquisadores  compararam uma biblioteca de melanossomos de pássaros vivos com os fossilizados.

 

A surpresa: os pinguins modernos têm melanossomos de um formato que não é encontrado em nenhuma outra espécie de pássaro conhecida, enquanto que o pinguim pré-histórico tinha melanossomos parecidos com os de outras aves.

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