Piora estado de enfermeira espanhola infectada por Ebola

Piora estado de enfermeira espanhola infectada por Ebola

Profissional admitiu erro no protocolo de segurança e é primeiro caso de infecção fora da África; Libéria pode suspender eleições 

O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2014 | 09h02

MADRI - O estado de saúde da enfermeira espanhola infectada por Ebola piorou nesta quinta-feira, 9, dia em que também quatro outras pessoas foram postas em isolamento em Madri. Teresa Romero, de 44 anos, é a primeira pessoa a contrair o vírus fora da África, após ter mantido contato com um religioso que foi repatriado daquele continente para tratamento na Espanha. 

No total, sete pessoas estão isoladas, apesar de apenas Teresa ter testado positivo para Ebola. Entre os demais está o marido da enfermeira e dois médicos que tratavam a infectada. Três outras pessoas foram liberadas do isolamento após testarem negativo para a doença. 

"A situação clínica dela piorou mas não posso dar mais informações em razão dos desejos expressados pela paciente", disse nesta quinta-feira um oficial de saúde do Hospital Carlos III, que trata a enfermeira.

A Comissão Europeia pediu por explicações sobre como a infecção de Teresa aconteceu em uma ala de alta segurança. "É óbvio que a própria paciente reconheceu que não seguiu a risca o protocolo", disse Ruben Moreno, porta-voz do Partido Popular Europeu.

German Ramirez, um dos médicos do hospital no qual Teresa está sendo tratada, disse na quarta-feira, 8, que ela relatou ter tocado o rosto com uma das luvas de proteção. Na quinta-feira, outro médico que tratou a enfermeira e que está agora em isolamento disse que as mangas das roupas de proteção que usou eram muito curtas. 

Em carta a autoridades do sistema de saúde publicada no jornal El Pais, o médico detalhou que tratava de Teresa por um expediente de 16 horas e não foi informado que ela estava com Ebola. Ele relatou que soube da informação através da imprensa.

Outros funcionários do hospital protestaram contra o que seria um treinamento inadequado para enfrentar o vírus. 

Peter Piot, professor da Escola Londrina de Medicina Tropical, que foi um dos descobridores da doença há quase 40 anos, disse nesta quarta-feira que "o menor erro pode ser fatal".

"Por exemplo, um momento perigoso é quando você tira a roupa de proteção - você sai da unidade de isolamento, tira a roupa, você está todo suado e tira os óculos e faz isso", disse Piot, apertando as mãos contra os olhos. "E isso pode ser o fim." 

A investigação sobre como a enfermeira contraiu o vírus continua. Um porta-voz do setor de saúde do governo espanhol disse que a ambulância que atendeu Teresa, levando-a de casa ao hospital, apesar de higienizada entre as viagens, continuou a atender outros pacientes sem ser retirada de circulação até que se confirmou que a mulher tinha Ebola.

Não é provável que pacientes transportados no veículo tenham contraído o vírus por não terem mantido contato direto com a infectada, mas estão sendo monitorados. 

A epidemia de Ebola que avança na África Ocidental há sete meses tem começado a ameaçar áreas fora do setor de saúde, afetando a política e a economia dos país com mais casos, como Libéria, Serra Leoa e Guiné. O pior registro da doença desde a sua descoberta deixou até agora 3.879 pessoas mortas entre 8.033 contagiados. 

Eleições na Libéria. A crise na Libéria adquiriu uma dimensão política depois que a presidente Ellen Johnson Sirleaf solicitou ao Parlamento a suspensão das eleições para o Senado, previstas para o próximo dia 14. O estado de emergência, segundo ela, justifica o atraso do pleito até que o país tenha superado o caos, ou ao menos recupere a sua atmosfera política "livre, aberta e transparente".

A oposição acusou a presidente de haver aberto "uma guerra clara contra a liberdade civil do povo da Libéria". "A carta da presidente diz que estamos a beira do caos. Queremos advertir que qualquer ação que ameace os direitos do povo provocará grande raiva", avisou Jefferson Koijee, presidente jovem do Congresso para a Mudança Democrática (CDC) da oposição liberiana. 

O Conselho Nacional da Sociedade Civil do país (NCSCL) crê que a solicitação presidencial "ameaça a liberdade civil, a estabilidade do Estado e ataca o centro do sistema democrático". Segundo o ativista e advogado especialista em direitos humanos Tiawon Gongloe, o senado atual não terá maioria suficiente para atuar em nome do Estado, e qualquer decisão que se adote será ilegal. /EFE E REUTERS

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