Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Plano de Doria para internação de dependentes inclui hospital fechado

Em documento elaborado para a Justiça defendendo internação compulsória, a administração municipal elenca três hospitais onde haveria vagas, mas reportagem apurou que somente um deles oferece o serviço

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 16h03

Atualizado às 23h30.

SÃO PAULO - Duas das três clínicas indicadas pela Prefeitura à Justiça como aptas a receber dependentes internados compulsoriamente nem sequer oferecem o serviço de internação de usuários de drogas, conforme constatou o Estado ao entrar em contato com as unidades. Uma delas está fechada há pelo menos três meses. A outra só disponibiliza consultas e serviço de hospital-dia.

As clínicas foram citadas no pedido enviado pela Procuradoria-Geral do Município à Justiça na última terça-feira, 23, no qual a gestão Doria solicita autorização para realizar avaliação forçada de dependentes químicos. O pedido foi criticado por associações médicas, Defensoria Pública e Ministério Público, que levantou o risco de a Prefeitura promover uma “caçada humana”.

No pedido, a administração alega ter 270 vagas disponíveis para internação compulsória distribuídas em três hospitais: João de Deus, em Pirituba (zona norte); Cantareira, no Tucuruvi, também na zona norte; e Irmãs Hospitaleiras, no bairro Riviera Paulista (zona sul). Todos são privados e seriam conveniados à Prefeitura.

Somente o João de Deus, no entanto, está oferecendo atualmente internação de dependentes químicos. A unidade da zona sul do Irmãs Hospitaleiras, citada pela Prefeitura como conveniada, está fechada há pelo menos três meses, segundo um comunicado publicado no próprio site da instituição cujas informações foram confirmadas por um funcionário do local. Na fachada da unidade, duas placas foram afixadas indicando que o imóvel está disponível para locação.

Já o Hospital Cantareira está aberto, mas não conta com o serviço de internação. Na unidade, são oferecidas apenas consultas especializadas, atendimento ambulatorial e serviço de hospital-dia. As informações foram dadas por uma funcionária do local e estão detalhadas no site da instituição.

Após ser informado pelo Estado sobre o hospital fechado, o promotor Arthur Pinto Filho, da área de Saúde Pública, determinou uma inspeção no local na tarde desta sexta, 26. A vistoria confirmou que o local estava desativado. "É uma falta de respeito com os dependentes, com a sociedade, com o Poder Judiciário e com o Ministério Público. Queremos um trabalho sério e profissional”, disse.

No momento da vistoria da funcionária da Promotoria, uma ambulância do Samu chegou ao local com um dependente químico que seria internado involuntariamente. Com a unidade fechada, o paciente teve que ser encaminhado para outra clínica.

Justificativa. A Secretaria Municipal da Saúde afirmou que se equivocou ao informar à Justiça o endereço da unidade fechada. A pasta diz que contará com vagas de outra unidade da rede Irmãs Hospitaleiras, em Pirituba, que está em funcionamento.

Quanto ao Hospital Cantareira, a Prefeitura disse que, embora ela realize só consultas atualmente, firmou contrato garantindo a oferta de leitos. A gestão municipal informou que os três hospitais elencados no pedido judicial se comprometeram a disponibilizar as 270 vagas contratadas.

Sobre o paciente levado pelo Samu, a secretaria disse que o endereço incorreto foi repassado por funcionários do hospital, após contato telefônico.

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