Planos de saúde investem em hospitais próprios

Em setembro, mais um hospital será inaugurado em São Paulo. Resultado de um investimento de R$ 48 milhões, o Hospital Santa Bárbara será especializado em tratamentos e exames sofisticados, terá 12 andares e estará localizado a uma quadra da Avenida Paulista, uma das regiões mais nobres da cidade. Esse hospital pertence à Blue Life e reflete uma tendência cada vez mais forte no ramo dos planos de saúde. As operadoras percebem que, em vez de deixar todo o atendimento dos clientes nas mãos de hospitais conveniados, ter uma rede hospitalar própria pode ser um bom negócio. Apenas no período entre 2004 e 2005, o número de hospitais que pertencem (total ou parcialmente) às operadoras de saúde subiu de 488 para 591 - um salto de 21% -, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), entidade ligada ao governo responsável pela fiscalização dos planos de saúde. ?Realmente essa é uma tendência do mercado?, afirma Eduardo de Oliveira, presidente da Federação Brasileira de Hospitais. Para ele, uma operadora de plano de saúde que não tiver um hospital próprio será ?um navio sem porto?. Com uma rede hospitalar própria, as empresas dizem que é mais fácil garantir serviços de qualidade aos clientes e ter maior controle sobre os gastos com procedimentos médicos. No fundo, essas duas vantagens podem ser resumidas numa só: redução de gastos. A lógica é simples. Em vez de ser atendido num hospital diferente cada vez que precisa de um médico, o paciente tem um único prontuário - e no mesmo local. Assim, não será necessário realizar um exame que pode já ter sido feito algum tempo atrás. E esse mesmo plano de saúde não terá de pagar a um hospital privado as diárias de um quarto quando o paciente precisar ficar internado. A economia não é pequena. Cerca de 40 milhões de brasileiros - pouco mais de 22% da população nacional - são clientes de uma das 1.800 empresas de planos de saúde do País. ?Na medicina, só existe uma forma de reduzir custos. É aumentando a qualidade do serviço?, explica Angelo Augusto Ferrari, presidente do futuro hospital da Blue Life. ?Quando atendemos bem e resolvemos o problema logo no começo, isso evita que o paciente tenha complicações no futuro e leve mais custos para a operadora.? Além disso, as chamadas reservas técnicas (dinheiro que obrigatoriamente é guardado como garantia das operações caso a empresa passe por alguma turbulência financeira) são menores. O próprio hospital serve de garantia dos serviços. Apenas em São Paulo, a operadora DixAmico tem 18 unidades clínicas e hospitalares. Das consultas, 65% são feitas na rede própria - apenas 35% em hospitais ou consultórios particulares. A proporção é a mesma no caso das internações. Ampliações - A concorrente Medial tem três hospitais - que levam o nome Alvorada - e 13 centros médicos na região metropolitana de São Paulo. No início do ano, arrendou um pedaço de um hospital de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Até o fim deste ano, inaugurará um centro médico no Rio e outro hospital em Brasília. O futuro Hospital Santa Bárbara atenderá só os clientes da Blue Life, pelo menos no princípio. A maioria dos hospitais das operadoras também atende os pacientes de outros planos de saúde. Assim faz a Amil, por exemplo, que em São Paulo tem o Hospital Paulistano. No entanto, parte da equipe do Paulistano é reservada para cuidar exclusivamente dos clientes da Amil. Com o mesmo objetivo financeiro, algumas operadoras estão investindo em laboratórios e até em equipes de resgate, com helicópteros e aviões. A tendência inversa também ocorre. Preocupados com o desaparecimento dos clientes particulares (aqueles que não têm convênio e pagam por consultas, exames, tratamentos e cirurgias), alguns hospitais - principalmente as santas casas - estão criando seus próprios planos de saúde.

Agencia Estado,

10 de julho de 2006 | 09h25

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