Planta da Antártida pode oferecer remédios contra o câncer

A 'Deschampsia antarctica' tem genes capazes de anular o impacto da luz ultravioleta

Efe

05 de setembro de 2008 | 15h29

Cientistas acharam, em uma gramínea da Antártida, genes capazes de anular o impacto da luz ultravioleta e cujos princípios ativos estão sendo usados no desenvolvimento de medicamentos contra o câncer de pele.  Foi o que explicou na quinta-feira, 4, o pesquisador Gustavo Zúñiga durante o IV Simpósio latino-americano sobre Investigações Antárticas, celebrado entre quarta-feira, 3, e esta sexta-feira, 5, no porto chileno de Valparaíso, a 125 quilômetros de Santiago.  "Demonstramos que algumas moléculas presentes na Deschampsia antarctica são capazes de anular o impacto que provoca a radiação ultravioleta, embora inda não saibamos se podem curar o câncer", explicou Zúñiga, da Universidade de Santiago do Chile.  A investigação é realizada por cientistas chileno, espanhóis e holandeses.  Junto com outros especialistas, Zúñiga trabalha para identificar as propriedades da Deschampsia antarctica e da Colobanthus quitensis, as duas únicas plantas vasculares que vivem no continente branco, região onde se concentra o buraco na camada de ozônio.  Os cientistas, que já identificaram e caracterizaram os genes responsáveis por esse processo, iniciaram os trâmites para patentear os compostos que apresentam atividade anticancerígena, como sua aplicação no desenvolvimento de medicamentos, alguns já em fase intermediária.  Essas descobertas também poderiam ser aplicadas na elaboração de novos cosméticos, na melhora de processos industriais por suas propriedades antioxidantes e inclusive em cultivos de transgênicos, segundo Zuniga. Para a agricultura, a informação genética das gramíneas poderiam ser transferidas para as plantas de cultivo, que seriam menos afetadas pelo aquecimento global ou conseguiriam maior resistência ao frio.

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