Polêmica em campanha para prostitutas gera onda de demissões na Saúde

Após exoneração do diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, dois auxiliares pediram para sair

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2013 | 13h00

BRASÍLIA - Numa reação à exoneração na terça-feira, 4, do infectologista Dirceu Greco da direção do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, os diretores adjuntos do órgão, Eduardo Barbosa e Rui Burgo, pediram demissão na manhã desta quarta-feira, 5. A crise no programa, que durante anos foi reconhecido internacionalmente pela sua qualidade, foi deflagrada na terça-feira, com a suspensão, determinada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de uma campanha para combater o preconceito às profissionais do sexo.

A campanha, lançada no fim de semana pelo departamento nas redes sociais, trazia peças com mensagens de prevenção. Numa delas uma profissional do sexo afirma: "Eu sou feliz sendo prostituta." Embora elogiada por médicos especialistas na prevenção de aids e por integrantes de organizações não governamentais, a iniciativa provocou polêmica.

Padilha recuou, mandou tirar a peça da página na manhã de terça-feira, dia em que o Estado publicou uma reportagem sobre a campanha. À noite, exonerou Greco e determinou a retirada de todo material, para "avaliação".

Padilha afirmou que as peças estavam em teste, não haviam sido aprovadas pela Assessoria de Comunicação Social e não atendiam os objetivos de prevenção. Esta é a terceira vez que o ministro determina a retirada de material com potencial de polêmica. Em março deste ano, como Estado revelou, ele determinou a suspensão da distribuição de um kit educativo. No ano passado, a campanha de carnaval, com foco em jovens gays, também teve sua veiculação suspensa. A justificativa dada na época era a de que o material era de divulgação restrita.

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