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Polícia abre inquérito para investigar desvios de até R$ 7 milhões na Santa Casa de Sorocaba

Auditoria apontou pagamento de serviços não prestados, contratações sem licitação ou tomada de preços e empréstimos irregulares a funcionários e colaboradores

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2014 | 19h37


SOROCABA - A Polícia Civil abriu inquérito nesta quinta-feira, 11, para apurar denúncias de desvios de recursos públicos destinados à Santa Casa de Sorocaba, maior hospital filantrópico da cidade. Uma auditoria contratada pela prefeitura, que assumiu a gestão do hospital, apontou o pagamento de serviços não prestados, contratações sem licitação ou tomada de preços e empréstimos irregulares a funcionários e colaboradores, que podem ter resultado em prejuízo de mais de R$ 7 milhões. O hospital, segundo maior em atendimento público na região, é mantido com recursos da prefeitura e do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o delegado seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel, os antigos diretores usavam o setor financeiro do hospital como se fosse seu banco privado. O relatório mostra que o caixa era usado para trocar cheques de diretores e de terceiros, financiar compras de particulares e até para empréstimos. Apenas uma funcionária tomou 17 empréstimos que somaram R$ 45 mil e não os pagou. Também é apontado desvio de parte de uma verba de R$ 5 milhões destinada à construção de um centro de oncologia.

O relatório e a documentação enviados pela auditoria passarão por perícia contábil da Polícia Civil. O delegado vai pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal e a avaliação da evolução patrimonial dos ex-diretores. A suspeita é de que os desvios de recursos podem ter prejudicado o atendimento à população. O inquérito apura crimes de má gestão de recursos públicos, peculato, associação criminosa e improbidade administrativa, envolvendo, além de diretores e funcionários, fornecedores e empresas supostamente beneficiadas pelo esquema.

CPI. As irregularidades na Santa Casa de Sorocaba também são alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Câmara. De acordo com o vereador José Crespo (DEM), que preside a apuração, o plano é trabalhar em conjunto com a Polícia Civil e o Ministério Público para chegar aos responsáveis pela má gestão do hospital e obter o ressarcimento dos prejuízos. O ex-provedor, José Antonio Fasiaben, informou que só vai se manifestar depois de ter acesso ao conteúdo da auditoria, o que está sendo providenciado pelos seus advogados.

Fundada em 1803 para atender pobres e necessitados, a Santa Casa de Sorocaba pertence a uma Irmandade de caráter filantrópico, mas está sob a gestão da prefeitura desde janeiro de 2014. O município assumiu o hospital por decreto, depois que uma auditoria preliminar constatou indícios de mau uso dos repasses de verba pública - o hospital recebia R$ 5 milhões ao mês, sendo R$ 2 milhões da prefeitura e R$ 3 milhões do governo federal, através do SUS. Desde então uma comissão gestora de emergência administra o hospital.

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