Polícia faz buscas em empresas em que falsos médicos atuavam

Em nova operação na região de Sorocaba, Polícia Civil fez buscas e apreendeu documentos que comprovam contratação de profissionais

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2015 | 17h52

SOROCABA - Em nova operação realizada nesta quarta-feira, 22, a Polícia Civil fez buscas e apreendeu documentos em duas empresas responsáveis pela contratação dos seis falsos médicos que agiam na região de Sorocaba, interior de São Paulo. No escritório do Instituto Ciências da Vida (ICV), num bairro nobre de Sorocaba, os policiais apreenderam pastas, livros de registros e disquetes de computador.

Em São Roque e Mairinque foram realizadas buscas e novas apreensões em endereços da Innova. As duas empresas atuam no fornecimento de mão de obra para serviços médicos e hospitalares.

A operação foi desencadeada para investigar se as empresas tinham conhecimento de que estavam oferecendo profissionais inaptos a exercer a medicina aos hospitais e unidades de pronto-atendimento da região. A polícia não descarta um possível esquema que visava à inserção de falsos médicos na rede que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quatro falsos médicos já foram identificados - dois, Pablo do Nascimento Mussolin e Natani Thaisse Oliveira, estão presos. Também já foi identificada a médica que utilizava o nome de Cibele Lemos, e que está foragida. Ela teve a prisão preventiva decretada, mas a polícia suspeita que a jovem fugiu para a Bolívia. Outros três profissionais que atuavam como médicos sem ter registro válido no CRM não tiveram os nomes divulgados. De acordo com a polícia, um deles morreu há poucos meses.

A polícia investiga ainda se os titulares dos registros no CRM sabiam do uso indevido. Os falsos médicos recebiam de R$ 40 a R$ 60 mil por mês por sua atuação em unidades conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS). Eles atuaram também em outras cidades. Na região de Sorocaba, eles assinaram pelo menos 60 atestados de óbito que, agora, estão sendo revistos.

A Innova, empresa responsável pela contratação de dois dos falsos médicos, informou que as admissões foram feitas com base em documentos pessoais e nos registros no CRM apresentados pelos supostos médicos. Segundo a empresa, não foi possível detectar as falsificações porque os documentos eram compatíveis com o prontuário inserido no site do CRM. Contatado, o IVC informou que se manifestará assim que tiver acesso ao inquérito da Polícia Civil.

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