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PF apura se presidente de estatal e empresários participaram de vacinação clandestina em MG

Dirigente da Gasmig diz ter marcado data para receber dose, mas desistiu após saber que não teria cartão atualizado para mostrar em viagens. Polícia acredita que falsa enfermeira usava soro fisiológico no lugar de imunizante

Leonardo Augusto, especial para o Estadão

07 de abril de 2021 | 19h39

BELO HORIZONTE - A Polícia Federal investiga se o presidente da Gasmig, Pedro Magalhães Bifano, participou do esquema de vacinação clandestina em Belo Horizonte. A cuidadora de idosos Claudia Freitas, que se apresentava como enfermeira, era responsável por aplicar as doses. A corporação acredita que ela usava soro fisiológico no lugar de imunizante. 

Bifano será ouvido pela PF como uma das pessoas que teriam contratado os serviços da cuidadora de idosos. Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação em uma garagem da empresa Saritur, na região noroeste de BH, ocorreu nos dias 22 e 23. Ao menos 80 pessoas passaram pelo local naquelas duas noites.

A Gasmig fornece gás natural no Estado e tem como controladora a também estatal Companhia Energética de Minas (Cemig), ligada à gestão Romeu Zema (Novo). Pedro Magalhães Bifano é irmão do deputado estadual João Magalhães (MDB).

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Gasmig. Ao Estadão, o dirigente da companhia disse que chegou a marcar data para tomar a "vacina" da falsa enfermeira, mas afirmou ter recuado. "Perguntei: vou ter o cartão de vacinação, para que eu possa mostrar quando viajar, por exemplo? Me responderam que não. Aí, desisti", contou.

Bifano disse ainda que um amigo foi quem lhe falou sobre o serviço da falsa enfermeira. Ele também falou que vai completar 65 anos em junho e que em breve será imunizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Procurada pela reportagem, a gestão Zema ainda não se manifestou. 

Além do presidente da Gasmig, a polícia identificou possíveis contratantes dos serviços da falsa enfermeira no setor têxtil da cidade.

Na terça-feira, 6, o dono de um haras próximo a BH, Marcelo Martins Araújo, afirmou em depoimento à PF que comentou com Rômulo Lessa, da Saritur, sobre os serviços da cuidadora. Negou, porém, ter indicado a mulher ao empresário. Araújo confirmou à PF que comprou da cuidadora de idosos o que acreditava ser vacina para covid-19.

Em nota, o advogado do dono do haras, Juliano Brasileiro, afirma que seu cliente "prestou esclarecimentos à autoridade policial na qualidade de vítima/testemunha, oportunidade em que esclareceu ter adquirido da sra. Cláudia Freitas, que se apresentou como enfermeira, aquilo que acreditava ser vacinas contra a covid da Pfizer regularmente importadas". A farmacêutica americana nega ter vendido vacinas para grupos particulares. 

O texto diz ainda que o dono do haras confirmou ter comentado "este fato com o Sr. Rômulo Lessa, mas nega ter feito qualquer indicação sobre a qualidade e idoneidade da Sra. Cláudia ou das supostas vacinas por ela aplicadas, e que "esclareceu não ter qualquer outra participação nos fatos objetos do inquérito".

Integrante da CPI da Assembleia Legislativa de Minas que apura denúncia de fura-fila na vacinação contra covid-19 por funcionários do governo Zema, o deputado estadual Sávio Souza Cruz (MDB) disse que o esquema da falsa enfermeira não deverá ser alvo da comissão por não envolver vacinas do SUS.

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