Polícia investiga venda de Cytotec

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática está investigando a venda pela internet do Cytotec - medicamento para úlcera com efeito abortivo. Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou do ar 20 sites em que o produto era vendido, mas ontem endereços online ainda anunciavam o "kit aborto seguro" por valores entre R$ 160 e R$ 380. A gerente de Monitoração de Propaganda da Anvisa, Maria José Delgado Fagundes, informou que outras 30 páginas serão retiradas do ar até o fim desta semana. Num dos sites, os vendedores anunciam que o remédio é procedente da Itália e alertam o consumidor para não comprar medicamentos importados do Paraguai "por serem na maioria falços (sic)". O produto pode ser entregue por Sedex 10 ou motoboy. O kit inclui um manual que, entre outras dicas, ensina o que pode ser dito ao ginecologista "sem que cause nenhum constrangimento". "A venda de abortivo pela internet é um perigo, conduz à automedicação e deve ser coibido pelo Ministério da Saúde", afirmou o ginecologista Abdu Kexfe, conselheiro e coordenador do Grupo de Trabalho Materno-Infantil do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro. "O uso pode provocar hemorragia que pode levar ao óbito da mulher, como pode não ter o efeito abortivo esperado e deixar seqüelas graves na criança", explicou Maria José. Entre os sites suspensos na semana passada, 11 eram de São Paulo. O restante se dividia entre Rio, Rio Grande do Sul, Minas, Pernambuco e Santa Catarina. "Só podemos fazer alguma coisa com páginas originadas no Brasil. Os domínios internacionais ficam fora da nossa alçada", diz. O Cytotec foi lançado no País em 1984 para tratamento de úlceras gástricas e duodenais, mas tornou-se popular pelo efeito abortivo. Em 1998, o Ministério da Saúde restringiu sua venda a hospitais credenciados.

Agencia Estado,

29 de março de 2006 | 10h23

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