REUTERS/Amanda Perobelli
REUTERS/Amanda Perobelli

Policial militar é preso sob suspeita de matar adolescente na zona sul de São Paulo

Imagens mostram homens armados no mesmo local onde a vítima foi vista na madrugada do domingo passado. Polícia diz ter identificado um dos suspeitos

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 19h24
Atualizado 09 de julho de 2020 | 22h52

Um policial militar foi preso na noite desta quarta-feira, 17, sob suspeita de assassinar o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, que foi sequestrado na madrugada do domingo passado na zona sul de São Paulo e encontrado morto no dia seguinte em Diadema, cidade da região metropolitana. A Corregedoria da corporação participa da investigação do caso. 

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública, o pedido de prisão partiu do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e foi deferido pela Justiça. "As investigações prosseguem pelo DHPP para esclarecimento de todas as circunstâncias relativas ao caso", informou a pasta em nota. 

As suspeitas contra o policial surgiram quando os investigadores obtiveram imagens de uma câmera de segurança da rua onde o garoto desapareceu no fim de semana. A gravação mostra dois homens armados no mesmo local onde Guilherme desapareceu, nas imediações da casa da avó. 

Parentes de Guilherme estiveram nesta terça-feira, 16, na sede da Corregedoria da PM para prestar depoimento. Depois, eles foram à sede do DHPP, onde tramita outro inquérito que também apura o assassinato. Agentes da Corregedoria voltaram à casa da família na manhã desta quarta-feira, 17, em busca de mais informações. 

No DHPP, os investigadores coletaram dados sobre a história da vítima e escutaram o que parentes tinham a dizer sobre os fatos. A Polícia Civil tenta montar uma linha do tempo para entender todos os fatos, do sequestro da vítima à localização do corpo. 

A morte do adolescente desencadeou uma série de protestos por parte dos moradores da Vila Clara, bairro onde Guilherme vivia. Na segunda-feira, a manifestação terminou com tumulto e ônibus incendiados. À noite, dezenas de policiais voltaram ao bairro e foram gravados agredindo moradores. Os protestos se repetiram na terça e nesta quarta-feira, quando amigos e moradores do bairro voltaram a pedir por justiça no caso. 

SP não será complacente com violência policial, diz Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), convocou a cúpula da segurança pública paulista nesta quarta-feira, 17, para afirmar em entrevista coletiva que o Estado punirá policiais flagrados em ações irregulares. O gesto ocorre após ao menos três flagrantes recentes de violência praticada por policiais militares contra cidadãos desarmados, do caso do assassinato de um adolescente de 15 anos, na zona sul, em que policiais estariam envolvidos, e em meio ao recorde histórico de mortes provocadas por PMs em supostos confrontos.

“O governo do Estado de São Paulo não será complacente com nenhum tipo de violência policial, de nenhuma ordem, sob qualquer justificativa. São Paulo tem a melhor polícia do Brasil. Não justifica que poucos comprometam a atuação de muitos. Aqueles que transgrediram, a orientação do governo do Estado e minha, como governador, é que sejam afastados, sejam julgados e, se culpados forem, que sejam penalizados, inclusive com expulsão da polícia”, afirmou Doria. /COLABORARAM BRUNO RIBEIRO, MARINA ARAGÃO E PALOMA COTES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.