Poluição veicular eleva risco de doença respiratória entre jovens em SP

Estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP indica relação direta entre doenças e localização de casas

Agência USP

02 de agosto de 2010 | 19h21

SÃO PAULO - Os poluentes emitidos por veículos na cidade de São Paulo aumentam as chances de crianças e adolescentes até 18 anos serem internados por doenças respiratórias. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP indica que há uma relação direta entre o aumento das possibilidades de jovens desenvolverem essas doenças e a localização de suas casas em locais de grande circulação de veículos. Isso acontece porque nessas áreas são maiores as concentrações de monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e materiais particulados (PM).

A pesquisa da bióloga Giovana de Toledo teve orientação da professora Adelaide Nardocci, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP. O estudo divide as concentrações de poluentes em quatro níveis, denominados quartis. O primeiro é o menos poluído - até 25% de concentração de poluentes - e o quarto é o mais poluído - mais de 75%. Verificou-se que nas áreas mais poluídas, entre elas a região do centro expandido de São Paulo, o risco de jovens serem internados por doenças respiratórias é maior.

Além disso, as chances de internação são diferentes para os períodos de inverno e verão. No quartil mais poluído, as chances chegam a 78% no inverno, ante 45% no verão. A diferença entre as estações também é verificada nas áreas menos poluídas. Nestas, no inverno, a chance de internação é de 56%, enquanto no verão baixa para 21%.

Segundo Giovana, nos dois períodos a poluição é maior onde o tráfego de veículos é mais acentuado, porém, no inverno, as internações são mais frequentes em função das características de temperatura e regime de chuvas, que dificultam a dispersão de poluentes.

A pesquisa também verificou a maior probabilidade de internação de acordo com piores condições socioeconômicas dos jovens. De acordo com a bióloga, uma explicação para isso pode ser o fato de pessoas mais carentes procurarem hospitais quando já estão em fase mais avançada da doença.

Indivíduos com melhores condições financeiras, entretanto, podem tratar a doença antes do quadro clínico se tornar grave e necessitar internação. "Nessa área de estudo, a população de menor nível socioeconômico também está predominantemente localizada no entorno de vias de alto tráfego e, portanto, a relação com a poluição tem um peso grande.”

Avaliação detalhada

O estudo de Giovana difere de outros já existentes, pois analisou de maneira detalhada as quantidades de poluentes emitidos por veículos em cada área da cidade. Os 2.499 setores censitários da cidade de São Paulo, demarcados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram analisados e distribuídos entre os quartis, ou seja, houve uma avaliação em microescala da relação entre os poluentes veiculares e a saúde da população.

“Estudos antigos analisavam a poluição de maneira mais abrangente”, afirma a pesquisadora. “Com um estudo mais detalhado você pode definir áreas prioritárias para intervenção, levando em conta não só a fluidez do trânsito, mas também a saúde da população do entorno".

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