População lota hospitais no Rio com medo da gripe suína

Na rede estadual, estimativa é de demanda 20% maior. Na municipal, pacientes começam a receber máscaras

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

20 Julho 2009 | 19h43

A confirmação, na semana passada, da morte de uma mulher em decorrência da gripe suína no Rio, a rede de saúde pública da capital fluminense ficou sobrecarregada com o aumento da busca por atendimento. Depois de um fim de semana de muitas filas e reclamações, nesta segunda-feira, 20, foi pequena a redução no movimento da maior parte de hospitais, postos de saúde e de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) 24h. Na rede estadual, a estimativa é de aumento de 20% na demanda. Na rede municipal, pacientes de algumas unidades começaram a receber máscaras para aguardar atendimento nas emergências.

 

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A confirmação da morte de uma mulher de 37 anos que não teve contato com pessoas que viajaram ao exterior aumentou a preocupação dos cariocas com a evidência da circulação do vírus influenza A (H1N1) na cidade.

 

 O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) da Secretaria Municipal de Saúde ainda investiga as causas da morte de uma mulher grávida numa clínica particular de Bangu. Ela teria chegado à unidade com sintomas de gripe suína depois de ter passado por dois hospitais públicos, sem receber atendimento adequado. Na Maternidade Municipal Fernando Magalhães, em São Cristóvão, outra grávida e uma mulher que já deu à luz estão em observação com os sintomas da doença.   

Sem conseguir dar velocidade ao atendimento na sala de espera da emergência, o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, passou a distribuir máscaras para os pacientes que aguardavam horas. Até mesmo quem não tinha sintomas de gripe, como portadores de doenças cardiovasculares e fraturados, recebiam a proteção. No entanto, os pacientes se queixavam de falta de higiene nos banheiros, que não tinham sabão, toalhas ou papel higiênico.

   

"De que adianta máscara se não tem lugar para lavar as mãos, como eles mesmo recomendam? O banheiro é imundo. Estou esperando há três horas, mas tem gente lá dentro há seis", queixou-se o pedreiro João Pedro Patrício, de 55 anos. Com dores no corpo, tosse e febre, ele desconfia de gripe suína, apesar de não ter tido contato com infectados. "Essa doença vem mesmo pelo vento, né?"

 

Segundo o paciente, muitos médicos e enfermeiros não estavam usando as máscaras.   

Para combater a desinformação e evitar que pessoas com gripe comum se misturem a portadores do influenza A (H1N1) nas salas de espera, a Secretaria Municipal de Saúde pôs agentes nas ruas para a distribuição de material informativo e planeja implantar um sistema paralelo de atendimento de casos suspeitos. Poderão ser criadas tendas, num modelo semelhante ao da epidemia de dengue no ano passado. 

 

Nas UPAs 24h da Tijuca e de Botafogo, o movimento foi mais calmo na segunda-feira, mas não havia máscaras nem para os servidores. Os pacientes com suspeitas da nova gripe eram atendidos juntos com os outros na recepção.  

Para o vereador Paulo Pinheiro (PPS), um dos parlamentares da comissão de Saúde da Câmara do Rio que vistoriou unidades, o atendimento poderia minimizar os riscos se a triagem dos casos mais graves fosse feita na porta, do lado de fora dos hospitais. "Há controvérsias sobre a real eficácia dessas máscaras fininhas", afirmou.

 

Até agora, não foram notificados casos de profissionais de saúde infectados.

No Hospital Souza Aguiar, o vereador Carlos Eduardo (PSB) encontrou uma sala especial com leitos e equipamentos para atender casos graves que não está sendo utilizada por falta de médicos.

 

A prefeitura admitiu falta de recursos humanos e informou que vai convocar médicos para trabalhar em regime temporário, mas não tem prazo para implementar a medida.

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