Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Por febre amarela, zona norte de São Paulo recebe fumacê

Nebulização contra o 'Aedes aegypti' atingiu área 3,7 mil imóveis; nos parques com acesso restrito, falta sinalização

Paula Felix e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - A Prefeitura tem usado nebulização - fumacê - e visitas a imóveis na zona norte como estratégia de combate ao Aedes aegypti na região do Horto Florestal e do Parque do Anhanguera, na zona norte. A medida é de prevenção contra a febre amarela. A vacinação contra a doença foi ampliada e também será feita neste fim de semana.

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A pasta informou que equipes das Supervisões de Vigilância em Saúde (Suvis) atuaram em imóveis às margens das áreas de mata dos parques e que a nebulização atingiu 3,7 imóveis em uma área em que vivem 9.361 pessoas. O Aedes também é capaz de transmitir zika, chikungunya e dengue.

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A nebulização foi feita, segundo a Prefeitura, em áreas próximas ao local onde foi encontrado um macaco morto com infecção confirmada pela doença. 

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Na capital, já foram aplicadas 146,6 mil doses da vacina nas regiões do entorno do Horto , do Parque Anhanguera e do Cantareira. Atualmente, 37 Unidades Básicas de Saúde estão fazendo a vacinação de moradores da zona norte. A partir da próxima semana, os postos vão funcionar com horário ampliado, de 7 horas às 19 horas. Até agora, o horário de funcionamento tem sido de 8 horas às 17 horas.

Parques

Os parques Anhanguera, Estadual da Cantareira, assim como 12 parques municipais, vão permanecer por tempo indeterminado. Segundo Juliana Summa, bióloga do Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (Cemacas) da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, as unidades tiveram visitação restrita como medida preventiva. Foram mapeados, diz ela, os pontos de encontro de mata entre as unidades. 

“Verificamos os corredores ecológicos, que são caminhos de vegetação que interligam as áreas verdes para que a fauna tenha passagem de uma área para outra. Não só a fauna, mas os mosquitos alcançam essas áreas. Não sabemos se tem mosquitos em todas as áreas, mas a gente fechou o que era mais próximo do vírus.”

 

No entorno das unidades, porém, muitos paulistanos não sabiam nesta quinta-feira, 26, que a medida havia sido tomada. Nesta quinta-feira, o Estado visitou oito dos 13 parques municipais da lista, dos quais apenas três (Parque Cidade Toronto, bairro City América, Parque Jacintho Alberto, em Jardim Cidade Pirituba, e Parque Lions Tucuruvi, no Tucuruvi) estavam totalmente fechados e com sinalização de alerta sanitário (uma folha de papel sulfite plastificada de tamanho A4). O Parque Senhor do Vale (no Jaraguá) estava fechado, mas sem sinalização.

“Como vão impedir de as pessoas virem aqui se fica na frente da casa delas. Aqui é uma espécie de quintal das pessoas”, questionou a aposentada Noêmia Mendonça, de 59 anos, que mora perto do Parque do Canivete, no extremo norte da capital. Lá, foram colocados avisos nos pontos de ônibus.

“Deveria ter sido mais divulgado. Ainda mais porque não tem macacos”, afirmou Edineia Brito, de 50 anos, sobre o Parque Cidade Toronto. 

Em nota, a Secretaria do Verde informou que vai colocar sinalização em todos os parques ainda hoje. Além disso, diz apostar em outras formas de comunicação, como as redes sociais, para avisar as pessoas. 

Saiba mais sobre a doença

Transmissão

A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos portadores do vírus de febre amarela. Em regiões de campo e floresta, o principal mosquito transmissor é o Haemagogus. O vírus também pode ser transmitido pelo Aedes aegypti, na forma urbana da doença. Casos de transmissão urbana, no entanto, não são registrados no País desde 1942.

Macacos 

Primatas podem se contaminar com o vírus, exercendo também o papel de hospedeiros. Se picados, os animais transmitem o vírus para o mosquito, aumentando, assim, as chances de propagação da doença. 

Sintomas

A febre amarela é classificada como uma doença infecciosa grave. Ela provoca calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Os primeiros sintomas aparecem de 3 a 6 dias depois da infecção. 

Risco

Para maior parte dos pacientes, os sintomas vão perdendo a intensidade a partir do 3º ou 4º dia da infecção. Em alguns casos, no entanto, a doença entra em sua fase considerada tóxica. 

Gravidade

Cerca de 10% dos pacientes desenvolvem a forma grave da doença. Ela geralmente ocorre depois de um período breve de melhora dos primeiros sintomas da doença. A febre reaparece, há hemorragias, insuficiência hepática, insuficiência renal. Um dos sintomas é a coloração amarelada da pele e do branco dos olhos. Também não é incomum pacientes apresentarem vômito com sangue, um sintoma da hemorragia. 

Tratamento

Não há um tratamento específico para febre amarela. A medida mais eficaz é a vacinação, para evitar a contaminação da doença.

Vacina

A vacinação é recomendada para pessoas de áreas de risco em 19 Estados. De forma temporária, a recomendação foi estendida a cidades do Rio, Espírito Santo, São Paulo e Bahia. Na capital paulista, a dose está sendo recomendada para quem vive ou frequenta a zona norte. A prioridade imediata é para quem vive na região do Horto. 

 

 

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