Tiago Queiroz/Estadão
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Por medo de coronavírus, moda no Brás agora é máscara

Publicação que circula na internet sobre supostos casos na região alimentou temor

Fernanda Boldrin, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2020 | 10h00

SÃO PAULO - Nos bairros do Brás e Pari, na região central de São Paulo, o cenário mudou em uma semana. Por causa de uma publicação no Facebook que avisa sobre supostos casos de coronavírus na região, lojistas e frequentadores afirmam que, desde segunda-feira, 9, a máscara se tornou acessório obrigatório. 

A publicação diz que há dois casos nos arredores - um deles em um shopping popular na região da Avenida Vautier e outro em um condomínio do bairro do Pari. Agora, mesmo quem não viu a página cita o Shopping de Vautier como foco da doença. E, no burburinho das ruas, a população já inclui na lista de contaminação outros shoppings geridos pela mesma administração, como o shopping Porto.

A administradora dos shoppings, Margareth Scordamaglio, diz ser “tudo mentira”. “Não somos crianças, temos 11 shoppings. Não teve nenhum caso (de coronavírus), nenhuma loja aqui fechou. O que aconteceu é que isso saiu em uma página na internet. Já estamos acionando um advogado para que eles retirem o post e digam de onde veio esta informação”, disse Margareth. 

Na região, que é conhecida por agregar imigrantes de diversos países, a repercussão do suposto caso ganhou tons de preconceito. A página não dá detalhes sobre quem seriam os infectados. Mas a versão corrente, que se baseia na própria publicação, é unânime: “foi uma chinesa”. À reportagem, pessoas que frequentam a região e preferiram não se identificar disseram que “foram os chineses que trouxeram isso para cá” e que, “por isso, agora eles usam máscara”. 

A preocupação fez com que donos de lojas instruíssem os funcionários a utilizar a máscara. “Estou usando máscara desde segunda. Teve boatos de que tinha gente contaminada, meu patrão pediu para a gente usar”, conta Angélica Lopes, de 22 anos, que é vendedora em uma loja de roupas do Brás. Segundo Angélica, a movimentação do bairro também é motivo de apreensão. “A gente tem contato com muita gente, ficamos preocupados.”

A população local se divide entre quem toma todos os tipos de prevenção para evitar a doença e quem diz que a situação está “tranquila”. Para a vendedora da loja de roupas Ailiyi Fashion Sirleide Santana, “se o governo não controlar a situação, vai acabar sendo como uma bomba atômica”. Já a vendedora Mirian Carla não se alarmou. “Ponho a máscara porque o patrão pede para por”, conta. 

No fim da tarde, é comum ver nas ruas do Brás e do Pari gente que, saindo do expediente, logo tira a máscara do rosto. Por outro lado, algumas pessoas só aceitaram conversar com a reportagem com um mínimo de dois metros de distância, e ainda assim esticando o pescoço para trás.

Casos confirmados

Até esta quarta-feira, 11, a Secretaria Estadual de Saúde registrou 30 casos confirmados do novo coronavírus em São Paulo. Destes, 29 residem na capital, e 1 em Santana do Parnaíba. A divulgação dos casos, no entanto, só é dividida por municípios, e não por bairros. “Não damos detalhes de pacientes, até por uma questão de sigilo, para preservá-los”, informou a assessoria. 

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os pacientes diagnosticados com o novo coronavírus na capital estão em isolamento domiciliar, e que o monitoramento segue até que acabem os sintomas. “A Prefeitura reitera a importância de a população seguir apenas as orientações e informações oficiais dos órgãos de saúde, contribuindo desta forma para que os boatos não se propaguem e prejudiquem de várias formas a comunidade”, informou a assessoria.

A Prefeitura listou medidas preventivas que devem ser adotadas, como cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar, lavar as mãos frequentemente com água e sabão, evitar aglomerações ou locais pouco arejados, evitar tocar olhos, nariz e boca e não compartilhe objetos de uso pessoal.

 

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