Antonio Bat/ EFE
Antonio Bat/ EFE

Por novo coronavírus, bufês e espaços de festas enfrentam cancelamentos em São Paulo

Empresários reforçam medidas de higiene para evitar propagação da doença, mas, com incerteza sobre o coronavírus, eles temem pela saúde financeira dos negócios

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 09h00

A chegada do novo coronavírus a São Paulo tem provocado o cancelamento ou o adiamento de festas em bufês e casas de recepção na cidade. Casas como Buffet Colonial, em Moema, na zona sul, com 50 funcionários, ou o Vivo Desejo, na Casa Verde, zona norte, já se preparam para o novo ambiente. O espaço educativo Mi Casa SP, em Pinheiros (zona oeste) também já teve cancelamentos de festas.

“Já tivemos, desde quinta feira, sete cancelamentos de festas”, afirmou Viridiana Estrada, do espaço educativo Mi Casa SP, que pode receber até 100 pessoas. Viridiana contou que outros eventos agora aguardam por confirmação. Ela contou que um outro problema que surge agora é a renegociação dos contratos. "Muitos têm a previsão da devolução de valores", explicou. Isso também complica o quadro nas empresas.

O impacto da preocupação com a doença atinge também a Vivo Desejo, empresa de decoração de festas. “Já tivemos quatro transferências e mais seis estão em 'stand by'”, disse Sabrina Neublum, da Vivo Desejo, que opera com decoração e preparação de festas infantis, mas que atende também outros eventos de comemoração. De acordo com Sabrina, ainda não é possível fazer projeção de prejuízos, mas o impacto já foi sentido em festa nesse domingo, 15. “Cerca de 50% das pessoas não compareceram˜, conta a empresária.

Para Ricardo Yoshikawa, que dirige o Buffet Colonial, em Moema, com capacidade para receber até 400 pessoas, o impacto ocorre também nas festas de empresas. “No corporativo, houve cancelamentos ou adiamentos desde quinta-feira”, afirmou o empresário. "O setor de eventos para entrega de produtos, também está travado”, contou Yoshikawa. No negócio há cerca de 50 anos, a família dele opera com o mesmo ramo também em Osaka, no Japão, cidade na qual o impacto da crise do novo coronavírus também é forte. O empresário explicou que, em Osaka, o setor já começa a se recuperar, enquanto em São Paulo está apenas começando a ser afetado. "Ainda não é possível; para falar de prejuízos, é cedo", disse Yoshikawa.

A empresa está preparada com máquinas para higienização de louças, utensílios, com lavagem dupla de pratos e talheres, com água a 70 graus Celsius, mais a posterior aplicação de uma solução química que contém álcool. Segundo o empresário, essa prática já ocorre no Japão. “No Brasil, ainda não estou vendo essa preocupação, mas vai ter de fazer aqui também”, afirmou. “O contágio não ocorre somente com as pessoas, mas com os objetos também." Para ele, essas situações extremas já são comuns no Japão, onde as pessoas já se preocupam com o contágio também pelos objetos. “Aqui ainda não se deram conta disso”, alertou.

Outra medida, segundo o empresário, é o oferecer alimentos já “empratados”, ou seja, sem as ilhas de exposição de saladas, por exemplo. “O alimento já sai da cozinha no prato, o que evita que, se houver alguém contaminado no ambiente, isso vá comprometer os fornecimento do alimento aos outros”, disse. De acordo com o empresário, a preocupação das pessoas no Brasil ainda se limita a evitar o contato, mas deveria ser mais amplo. “No Japão, as pessoas já tomam esse cuidado. Lá, o ciclo já está passando”, afirmou.

Na Igreja Santo Inácio de Loyola, na rua França Pinto, as cerimônias estão suspensas por 15 dias. “Mantemos a igreja aberta, para as pessoas que quiserem vir, mas a orientação da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) é para suspender as reuniões por 15 dias”, afirmou o padre Mário Pizetta.

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