Carlos Junior/AFP
Carlos Junior/AFP

Por que a OMS é contrária à terceira dose da vacina contra a covid-19?

Organização defende que prioridade global neste momento precisa ser ampliação da cobertura vacinal em países pobres

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 10h00

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem se manifestado publicamente contrária à aplicação de uma dose de reforço da vacina contra a covid-19 neste momento, medida que tem sido adotada por diferentes países nas últimas semanas, incluindo o Brasil. O motivo principal é a defesa de uma equidade na distribuição de doses entre diferentes áreas do planeta, e não riscos à saúde para quem tomar as injeções. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus chegou a dizer que a medida é "injusta" enquanto muitas pessoas seguem desprotegidas em nações menos desenvolvidas.

No começo de agosto, a organização pediu que os países adiassem o início da aplicação da terceira dose. "Entendemos a preocupação dos governos em proteger suas populações da variante Delta (cepa identificada originalmente na Índia e mais transmissível), mas não podemos aceitar que os países que já usaram a maioria do fornecimento de vacinas o usem ainda mais, enquanto as populações mais vulneráveis ​​do mundo continuam sem proteção”, disse Adhanom.

Na data, citou que mais de 80% das doses da vacina foram utilizadas em países de rendimentos alto e médio, que representam em conjunto menos da metade da população mundial. Além disso, alertou que há nações mais pobres com apenas cerca de 2% de cobertura vacinal completa.

O diretor-geral da OMS também já destacou que, se as taxas de vacinação não aumentarem globalmente, novas variantes mais fortes do vírus da covid-19 podem surgir. Por isso, a doação de doses por países ricos.

Entre os motivos apontados, estão também a insuficiência de evidências científicas sobre a necessidade de um reforço, especialmente para a população que não é de um grupo de risco. A aplicação da terceira dose foi adotada em países variados, como Chile, Israel, Alemanha e Uruguai, com prioridades distintas. 

Nos países africanos, apenas cerca de 2,4% da população está com o esquema vacinal completo. Segundo a diretora regional da OMS na África, Matshidiso Moeti, novas doações de 117 milhões de doses são esperadas nos próximos meses, mas são necessárias 34 milhões adicionais para que o continente chegue a 10% de cobertura. Também recentemente, a organização pediu que a Janssen pare de enviar vacinas que produz na África do Sul para países ricos de outros continentes. 

No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou o início da aplicação de doses de reforço para 15 de setembro. Alguns locais que estão com a campanha avançada, como São Luís, anteciparam a medida e começaram a vacinação de terceira dose. O Estado de São Paulo prevê iniciar a aplicação dessa dose de reforço em 6 de setembro. /COM INFORMAÇÕES DAS AGÊNCIAS EFE E REUTERS

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