Danielle Nagase/Estadão
Danielle Nagase/Estadão

Por que os desodorantes naturais estão cada vez mais populares

Embora a adaptação nem sempre seja fácil, os antitranspirantes convencionais vêm sendo trocados por opções sem ingredientes polêmicos, como alumínio ou triclosan

Marina Mori, Especial para o Estadão

15 de janeiro de 2022 | 05h00

Quando se trata de desodorantes, o brasileiro é exigente. Não à toa. É que viver em um país tropical, como cantou Jorge Ben Jor, às vezes implica questões não tão poéticas do dia a dia. Suportar o calor e controlar o suor excessivo (além do mau cheiro que às vezes o acompanha) são algumas delas. Mas, em matéria de desodorante, não é todo mundo que pode ou quer usar os convencionais antitranspirantes, que colocam o Brasil em segundo lugar no ranking mundial dos países que mais gastam com esse tipo de produto.

É por isso que cada vez mais marcas têm apostado em versões naturais, sem alumínio ou triclosan, acompanhando uma tendência que parece ter vindo para ficar.

A polêmica do alumínio

“Nos últimos três anos, o uso de desodorantes naturais aumentou muito”, diz a dermatologista Giovana Alcântara, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Boa parte da mudança de hábito tem a ver com a polêmica envolvendo os sais de alumínio utilizados nas fórmulas dos antitranspirantes e câncer de mama. Alguns estudos científicos encontraram resquícios do metal, assim como parabenos e outras substâncias químicas, em células tumorais. “Em outro estudo, o alumínio foi apontado como disruptor endócrino em ratos, onde agiu como hormônio estrogênio, fator preocupante para o desenvolvimento de câncer de mama”, explica a médica. 

Apesar dos indícios, a ciência se divide em classificar o alumínio como vilão ou tratá-lo como substância inofensiva. “Os resultados da literatura ainda são controversos. De qualquer forma, a Sociedade Americana de Endocrinologia defende o princípio da precaução, ou seja: enquanto não há estudos suficientes, a gente tem de minimizar a exposição”, diz Tânia Bachega, médica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem-SP) e professora da Faculdade de Medicina da USP. 

À parte da possível relação com câncer, a dermatologista levanta outros pontos de alerta, como predisposição a intoxicações e alergias. Por ser difícil dimensionar o acúmulo da substância química a longo prazo no organismo, ela também sugere precaução – seja com as versões em aerossol ou roll-on. “Vale a pena retirar do uso diário.”

Levou anos até que a estudante Vitória Carvalho Hebmüller, de 26 anos, percebesse que seu corpo não reagia bem aos antitranspirantes convencionais. Desde que começou a aplicar os produtos no início da puberdade, aos 12, sentia as axilas inflamadas de tempos em tempos, mas nunca relacionou o problema ao desodorante. 

Vitória passou então a testar outras marcas e tipos diferentes de desodorantes naturais. O produto certeiro para ela foi uma loção de limpeza enzimática lançada no Brasil em 2019 chamada Myde. “Aplicando uma vez por dia depois do banho, durava até o dia seguinte mesmo depois de fazer atividades físicas intensas.” 

A responsável pelo desenvolvimento do produto, que recebeu em 2019 o Prêmio Atualidade Cosmética na categoria Banho e Higiene, é Erika de Figueiredo, arquiteta que não mediu esforços para achar uma solução para seu incômodo constante com o odor corporal. “Mesmo com o uso de desodorantes (mais de uma vez ao dia, muitas vezes), eu continuava transpirando com odor, o que era muito desagradável e limitante. Eu não me sentia confortável em diversas situações”, conta. 

A loção de limpeza que Erika desenvolveu com a ajuda de uma farmacêutica inibe a atividade enzimática das bactérias que produzem o mau odor. O produto não elimina a transpiração, como os antitranspirantes à base de alumínio, e tampouco age como bactericida ou fungicida, função da substância triclosan, dos produtos tradicionais. 

Transição

Justamente por não evitar a transpiração, desodorantes naturais demandam paciência com o próprio corpo durante a transição. “Pode haver aumento da sudorese nos três a quatro meses seguintes. Depois, isso costuma se regularizar”, explica a dermatologista Giovana Alcântara.

Outro fator importante é o tipo do produto. “Nem todo desodorante natural é igual. Testamos fórmulas há mais de dez anos e a proporção, além da combinação de ingredientes, faz uma enorme diferença na performance”, diz Marcella Zambardino, co-CEO da Positiv.a, empresa de produtos ecológicos. Em 2020, a marca lançou um desodorante em bastão feito com óleo de coco, bicarbonato de sódio e óleos essenciais de lavanda e melaleuca, entre outras matérias-primas. 

No caso da marca Bioterra Cosméticos, uma fórmula mais cremosa conta com probióticos (microrganismos vivos) para ajudar no equilíbrio da microbiota e controle do odor. Além disso, substitui o bicarbonato de sódio, que pode causar reação alérgica em peles sensíveis, por hidróxido de magnésio. “O desodorante precisa ter um pH um pouco mais alcalino para combater a proliferação de bactérias e essa substância ajuda nisso”, explica Pamela Mota, idealizadora da marca.

Quer começar a usar um desodorante natural no lugar dos produtos tradicionais? Siga essas dicas:

  • Priorize roupas de tecidos naturais, que não abafam a transpiração.
  • Lave as axilas com mais frequência; se preciso, use lenços umedecidos ao longo do dia e depois seque bem.
  • Faça esfoliação nas axilas semanalmente.
  • Separe uma toalha para secar as axilas. Dessa forma, você evita a proliferação de bactérias.
  • Reaplique o desodorante ao longo do dia, quantas vezes for necessário.

Nas prateleiras

  • Desodorante 100% natural de lavandim e melaleuca (50g). Positiv.a. R$ 39,99.
  • Loção de limpeza para axilas (60ml). Myde. R$ 35,00.
  • Desodorante natural cremoso sem bicarbonato (60g). BioTerra Cosméticos. R$ 26,90.

     

Tudo o que sabemos sobre:
desodorantehigiene

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.