REUTERS/Axel Schmidt
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Porto Alegre amplia testes para familiares sem sintomas de confirmados com coronavírus

Capital gaúcha já soma mais de 5,1 mil infectados, com quase 200 óbitos

Lucas Rivas, Especial para o Estadão

16 de julho de 2020 | 15h19

PORTO ALEGRE - Em função da escalada da pandemia do novo coronavírus em Porto Alegre, a prefeitura começou, nesta quinta-feira, 16, a ampliar a testagem para covid-19 para os familiares assintomáticos de casos confirmados da doença. Com isso, mesmo que a pessoa não apresente sintomas, ela poderá ser examinada.

Uma nova etapa, que testará pessoas que também tiveram contato com pacientes positivados no ambiente de trabalho, deve ser iniciada ainda em julho. A ampliação de exames na capital gaúcha foi informada em live realizada pelo prefeito Nelson Marchezan Junior (PSDB), na quarta-feira.

Porto Alegre já soma mais de 5,1 mil infectados, com quase 200 óbitos. Além disso, medidas mais restritivas seguem sendo adotadas para tentar frear o contágio e a busca por atendimento médico. Com o avanço do inverno, o sistema de saúde segue de forma recorrente batendo recorde de internações, com sinais de colapso.

A partir de hoje, os testes poderão ser feitos 20 dias após a confirmação do primeiro caso no núcleo familiar. Para ter acesso, a população deve procurar os postos de saúde ou as seis tendas de atendimento de casos suspeitos da covid-19, espalhadas pela cidade. Pacientes com até sete dias do início dos sintomas são encaminhados à pesquisa da presença do vírus pelo teste RT-PCR.

Já para pessoas com oito dias do início dos sintomas, será feito o teste rápido que verifica a presença de anticorpos. Para isso, é preciso apresentar CPF ou cartão SUS do familiar que teve a confirmação da doença e informar a data de início de sintomas do familiar que testou positivo.

"Vamos avançar no rastreamento de contatos familiares, mesmo que não tenham sintomas. Já havíamos ampliado a testagem para profissionais da linha de frente, idosos em casas geriátricas e toda a população com sintomas gripais. São medidas para mitigar a cadeia de transmissão", afirmou Nelson Marchezan.

Atualmente, a administração municipal trabalha com capacidade de analisar até 650 testes por dia de RT-PCR. No início da pandemia, os exames estavam reservados somente a pessoas hospitalizadas e profissionais de saúde.

Depois, passaram a ser aplicados em grupos acima de 60 anos, profissionais da segurança e idosos em casas geriátricas. “A intenção é interromper a cadeia de transmissão do vírus na cidade”, reiterou o secretário adjunto de Saúde de Porto Alegre, Natan Katz.

Pesquisa inédita

A capital gaúcha também foi palco de uma pesquisa inédita no mundo. Denominado "Avaliação da covid-19 na Comunidade de Porto Alegre", o estudo busca comparar os hábitos comportamentais, como a adesão ao isolamento social entre pessoas infectadas e não contaminadas para ampliar a compreensão sobre a covid e criar evidências sobre fatores de risco de contaminação. 

Esta é a primeira avaliação individual sobre o distanciamento social que se tem conhecimento na pandemia. A pesquisa será realizada em parceria com as universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pelotas (UFPel), Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e governos municipal e estadual.

Na primeira fase, que deve ser concluída no início de agosto, serão consultados 450 porto-alegrenses que testaram positivo para a doença, formando o chamado grupo de casos, e uma amostra da população, incluída no estudo da UFPel, que compõe o chamado grupo controle, ou seja as pessoas não infectadas pelo  coronavírus.

Para o coordenador da pesquisa e professor da UFRGS, Marcelo Gonçalves, a pesquisa pode trazer mais respostas e criar alternativas para combater a pandemia.“É o primeiro no país a avaliar de forma mais individualizada como se deu a contaminação, para entender os desfechos e saber se há associação entre a adesão ou não às medidas de distanciamento social e a contaminação pelo vírus. Os resultados serão relevantes para políticas públicas tanto de Porto Alegre quanto do Estado e país, agregando também ao que está sendo feito mundialmente”, explicou.

Os dados preliminares apontam que, entre o grupo controle, o percentual autodeclarado de adesão ao distanciamento social é maior entre pessoas com mais de 60 anos, chegando a 90% na faixa etária dos 70-79. Somente 60% dos jovens entre 18 e 29 anos, porém, afirmam estar seguindo as recomendações para restringir a circulação de pessoas na capital gaúcha.

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