Porto Seguro repassa 42 mil clientes para a Amil

No dia 1º de dezembro, os 42 mil clientes de planos individuais da Porto Seguro serão transferidos para a Amil. A Porto Seguro não aceitava novos planos individuais desde 2001, só os empresariais, que hoje giram em torno de 300 mil. Mesmo assim, a notícia pegou de surpresa os antigos usuários, que foram avisados da transação com uma carta da seguradora, enviada há cerca de duas semanas. A venda foi autorizada em 24 de outubro pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde do País. ?Esse tipo de transação não é muito comum, o mais usual é a transferência voluntária de todos os clientes ou uma transferência obrigatória?, avalia Everardo Braga, gerente de estrutura e operação de produtos da ANS. ?Mas a análise foi rápida, durou apenas dez dias, estava tudo muito claro da parte da Amil e da Porto Seguro.? No que diz respeito ao cliente, a clareza esperada da negociação é a Amil garantir manter a rede credenciada da Porto Seguro. ?Vamos fazer uma transição modelo e manter em 100% a rede credenciada da Porto Seguro?, promete Jorge Kropf, diretor técnico da Amil. Mesmo com a garantia, que consta na carta da Porto Seguro, a auditora Márcia Landen, que tem o plano top da Porto Seguro desde 1998, está apreensiva e não gostou da mudança. ?Levei um tremendo susto quando recebi em casa a carta da Porto?, diz ela. ?Pelo que li, não vou ser prejudicada. Mas quem me garante que não vou perder o direito de ser atendida pelos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e pelo laboratório Fleury?? A manutenção de médicos, laboratórios e hospitais sempre é a principal preocupação dos usuários de planos. ?No caso de mudança de empresa, o desconforto do consumidor é muito maior?, constata Daniela Trettel, advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). O descredenciamento, por exemplo, liderou o ranking de reclamações do Idec, quando a Interclínicas foi vendida ao Grupo Saúde ABC, no fim de 2004. ?Agora a situação é muito diferente, claro. Tanto a Porto Seguro como a Amil são empresas grandes e sadias?, diz Carlos Suslik, coordenador do curso MBA Saúde do Hospital Albert Einstein e do Ibmec São Paulo. Legalmente, qualquer operadora pode alterar a rede credenciada, mas com alguns limites. Um deles é que qualquer mudança tem de ser comunicada ao consumidor com pelo menos 30 dias de antecedência. Troca Equivalente ?Qualquer substituição tem de ser feita por um prestador de serviço de padrão equivalente?, diz Daniela, do Idec. ?Não pode trocar um Albert Einstein por uma Santa Casa do interior.? O ?padrão equivalente? significa, por exemplo, que o prestador de serviço, seja ele um médico, um hospital ou um laboratório, tem de ter a mesma disponibilidade e qualidade de serviços. Apenas a troca de hospitais tem de ser submetida à autorização da ANS, no entanto. ?No caso de hospitais, o tamanho e o número de internações tem de ser semelhante?, informa Braga, da ANS. A ANS multa quem não cumpre as regras. A operadora que não fizer substituição equivalente tem de pagar R$ 30 mil por troca. Para aquela que reduzir o número de prestadores, a multa é de R$ 50 mil. Valores baixos para empresas de grande porte. A partir de hoje, a Amil começa a enviar uma carta, assinada pelo presidente da empresa, Jorge Ferreira da Rocha, enfatizando que nada será alterado na transação, inclusive o preço dos planos, e colocando à disposição um telefone para esclarecimentos: (0xx11) 4197-1010.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2006 | 09h40

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