WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Postos de saúde de SP têm dificuldade para transferir pacientes

Com hospitais de referência cheios, unidades de atenção básica precisam pedir vagas à Prefeitura

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 05h00

A lotação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em São Paulo já traz reflexos na atenção básica de saúde. Em postos de saúde das regiões de Brasilândia, na zona norte, e de Sapopemba, na zona leste, as mais afetadas pela covid-19, funcionários da rede relatam dificuldade para localizar leitos de internação para transferir os pacientes mais graves, o que não ocorria há uma semana.

 

Segundo esses funcionários, Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs) perderam a chamada “referência”, os hospitais para onde essa unidades são orientadas a transferir os pacientes que precisam de cuidados mais complexos. Tem sido comum o hospital de referência estar lotado. Dessa forma, os postos têm de fazer pedidos por vagas à Prefeitura, que demora algumas horas para responder. A vaga que chega pode ser para outro hospital municipal, mais próximo, ou para unidades estaduais.

“Se precisar entubar um paciente enquanto espera, nós até conseguimos. Temos um respirador aqui. Mas a unidade fecha às 22 horas. Não tem funcionário depois. O que vamos fazer com o paciente?”, indaga a funcionária da AMA Jardim Tietê, na região de Sapopemba.

“Nós transferimos pacientes para os hospitais de (Parada de) Taipas e de Cachoeirinha”, explicou a funcionária de outra AMA, na Brasilândia. “Ontem (segunda-feira), transferimos um paciente para o hospital de campanha do Anhembi, que era menos grave. Outros três, demorou ‘um monte’ para a gente transferir.” Os pacientes acabaram sendo enviados para unidades diferentes. 

“Se a pessoa está com um pouco de febre, está com uma oxigenação baixa, e tem os sintomas há alguns dias, eu consigo mandar para o hospital de campanha. Antes, eles exigiam a tomografia do paciente, e a gente não faz o exame aqui. Agora, não exigem mais e eu consigo pedir a vaga no sistema”, afirmou uma coordenadora da zona leste. “Mas, para caso mais grave, eu deveria encaminhar ao Pronto Atendimento de São Mateus. Nos últimos dias, está demorando para sair a transferência.”

Um agravante, ainda de acordo com um funcionário da AMA Jardim Paulistano, na região de Brasilândia, é que “os pacientes que estão vindo nesta semana são mais graves, têm mais sintomas e estão piores”. Dessa forma, eles chegam à rede básica já precisando da transferência. 

Isolamento

Em uma das unidades, há três consultórios que foram transformados em sala de isolamento, onde os pacientes ficam à espera da transferência. Na zona leste, “hoje mesmo chegou uma mulher, funcionária aqui da AMA, que estava com a oxigenação em 40. Ela desmaiou”, disse um funcionário. Ela foi levada às pressas para o Hospital Estadual de Sapopemba em ambulância da AMA. 

Em nenhum dos quatro locais visitados nesta terça pelo Estado, entretanto, houve relato de pacientes que morreram à espera de vaga ou de transferências. Procurada para comentar os relatos de dificuldades de transferência dos pacientes, a Prefeitura de São Paulo não se manifestou até as 20 horas. 

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