Postos de saúde de SP vão modificar atendimento de DST

A partir deste mês, as unidades básicas de saúde de São Paulo vão modificar o atendimento a homens e mulheres que chegarem com sintomas de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Em vez de recebê-los e agendar uma consulta, o que atualmente pode levar até quatro meses, e desestimulá-los a iniciar um tratamento, eles deverão ser atendidos e medicados no mesmo dia. O objetivo é mapear e diminuir a incidência de sífilis, HVP e candidíase, entre outras doenças, que receberam pouca atenção nos últimos anos, enquanto o grande foco dos programas era o controle da aids. A preocupação se deve ao fato de essas doenças não estarem controladas e ainda aparecem na população com uma incidência acima da admitida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A sífilis congênita, transmitida da mãe para o filho, por exemplo, ainda atinge 1,6 de cada mil nascidos vivos na cidade. Em algumas regiões, como a zona norte, o índice chega a 3. Se não tratada, em cerca de 60% dos casos , a doença pode levar à morte do bebê. "Os serviços estão muito inchados e o grande problema no tratamento das DSTs é o tempo para a consulta. A pessoa desiste", afirma Maria Cristina Abbate, coordenadora do programa de aids da Secretaria Municipal de Saúde. "Vamos usar o que se chama protocolo de abordagem sindrômica, do Ministério da Saúde, para fazer o atendimento. A pessoa vai ser atendida e iniciar o tratamento no dia. Além disso, deve receber orientação para levar o parceiro", diz. Segundo ela, a mudança não exigirá gastos extras, já que os medicamentos e exames já estão incluídos na rede. A diferença é priorizar a forma de atendimento e treinar os próprios profissionais das unidades. De acordo com uma pesquisa da Vigilância Epidemiológica do Município, o HPV é a DST mais freqüente em homens e mulheres, seguida da sífilis e do HIV para homens, e da vaginose bacteriana e do HIV em mulheres. Também são bastante comuns casos de herpes genital, hepatite B e gonorréia. Além disso, segundo dados do Programa Nacional de DST/Aids, hoje 30% das pessoas que tiveram doenças sexualmente transmissíveis não procuraram ninguém ou nenhum serviço no início da manifestação dos sintomas. Apenas 30% buscaram atendimento médico. Pré-Natal - Com isso, espera-se também atingir as mulheres grávidas e levá-las a fazer um pré-natal mais cedo. Dados do Programa Sentinela, pesquisa feita com 7 mil mulheres em 70 maternidades do Estado, mostram que 33% das gestantes descobriram que eram portadoras do HIV somente depois do parto - o que aumenta as chances da contaminação do bebê.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 11h33

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