Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Na capital, postos de vacinação contra H1N1 amanhecem com filas

No 1º dia de imunização para crianças pequenas, grávidas e idosos, população chegou às unidades em São Paulo antes da abertura

Felipe Resk e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 08h14

SÃO PAULO - Em meio ao surto de H1N1, os postos de vacinação da capital paulista amanheceram tomados por filas antes mesmo de abrir as portas. Esta segunda-feira, 11, é primeiro dia da vacinação pública contra a gripe em São Paulo para idosos, gestantes e crianças de 6 meses a 5 anos, considerados grupos de risco. Balanço do governo de São Paulo divulgado na sexta-feira passada, 9, mostrou que o Estado já teve neste ano 70 mortes em decorrência do H1N1, número sete vezes maior que o registrado ao longo de todo 2015.

Na Unidade Básica de Saúde (UBS) Humberto Pascale, em Campos Elísios, no centro, cerca de 20 pessoas já aguardavam o início da imunização antes das 6 horas - duas horas antes de a vacinação abrir. O primeiro da fila, o guia turístico Caio Damazio, de 27 anos, havia chegado às 4h20.

"A gente está assustado com esse surto", disse Damazio, que guardava lugar para uma sobrinha de 9 meses, que seria vacinada. "Tentei na semana passada em uma clínica particular. Cheguei 4h30, mas não consegui senha", conta.

Formada principalmente por idosos, a fila se multiplicou em menos de uma hora. Por volta das 7 horas, cerca de 120 pessoas tomavam a calçada da Rua Vitorino Camilo, em frente à UBS, e chegavam até a esquina com a Rua Albuquerque Lins.

"Tem de se cuidar porque o negócio é muito sério", disse o aposentado Antônio Amâncio, de 68 anos, que chegou ao local às 5h20. "Um amigo meu ficou gripado na semana passada. Sentiu muita dor de cabeça e febre. Três dias depois, morreu."

Alerta. O surto também assusta a assistente jurídica Alessandra Oliveira, de 39 anos, que levou a filha Anna Luiza, de 3, para vacinação. "Na escola dela já tem alguns colegas com suspeita de gripe", disse. O que Alessandra não contava era com a fila daquele tamanho. "Eu esperava menos gente, mas o importante é sair daqui protegido."

Já na zona norte, a fila na UBS Jardim Pery já se formava uma hora antes da abertura das portas, prevista para 7 horas. A assistente administrativa Bruna Colnaghi, de 23 anos, foi a primeira a chegar e desde 4h30 já marcava lugar para os avós, Elias, de 75, e Aliciene, de 70. A jovem aguardou em pé por duas horas, até que a avó subiu e liberou a neta para que ela fosse ao trabalho.

"Vim cedo por causa da fila e porque disseram que cada unidade tem uma quantidade limitada de vacinas. Guardei lugar para os meus avós porque eles já são muito idosos", explicou Bruna.

Aliciene contou que está com uma tosse persistente há pelo menos dois meses. Mesmo assim, não tomou a vacina contra H1N1 antes, em clínica particular, por falta de recursos. "Não pude pagar. É muito cara. Mas vim logo no primeiro dia da vacinação porque fiquei com medo de acabar e porque essa gripe está matando muita gente", disse.

Medo de longas filas. O segundo a chegar à UBS foi o encanador Gildásio Osório, de 80 anos. Desde 5h10 na porta, ele afirmou que madrugou por medo de encontrar longas filas. Ele se vacina contra a influenza desde 2011 e disse que, embora não conheça quem tenha contraído a doença, preferiu se prevenir logo no primeiro dia. "A gente viu na televisão que muita gente estava pegando fila, chegava e acabava a vacina. Então, do jeito que a coisa está grave, é melhor prevenir."

Meia hora após a abertura do posto, a diarista Luiza França Araújo, de 61 anos, que era a terceira da fila, pegou a senha de número 5 e conseguiu se vacinar. Ela saiu comentando com as outras pessoas da fila: "Tem que vir cedo, senão vira tumulto".

Na UBS Dr. Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão, na Brasilândia, zona norte da capital, o movimento pela manhã foi tranquilo e a espera variava de 10 a 30 minutos. A unidade separou crianças em uma sala e idosos e gestantes em outra, estratégia que foi elogiada pela dona de casa Adriana Ferreira, de 32 anos. Acompanhada do marido, o autônomo Ricardo Ribeiro, de 33 anos, ela levou a filha Caroline Isabela, de 2 anos, para a UBS Dr. Augusto Leopoldo após tentar imunizá-la em outros dois postos de saúde. "Este foi o terceiro local que tentamos hoje (11). Aqui está diferenciado o atendimento. Passamos em outros dois postos e estavam muito lotados. Essa divisão das salas está tornando bem mais rápido o processo", disse Adriana, que esperou meia hora até a filha ser atendida. O pai consolava Caroline, que choramingava após a vacina. "Ela chorou um pouquinho, mas depois passou. Foi só uma picadinha, né, filha?"

Na UBS Dr. Augusto Leopoldo, a coordenadora de imunização do município, Maria Luiza Ramos Nerger, explicou que cada uma das cinco regionais está em alerta caso seja necessária reposição emergencial. Segundo ela, 1.020 doses foram entregues somente à UBS da Brasilândia. Para cada unidade, o número mínimo de doses é de 200. Das 7h às 9h, em duas horas de atendimento, 240 pessoas foram vacinadas no local.

Fases da campanha. A campanha de vacinação na região metropolitana de São Paulo foi antecipada e começou na rede pública no dia 4, para profissionais de saúde. Nesta segunda-feira, 11, foi iniciada a segunda etapa da campanha, para crianças de 6 meses a 5 anos, idosos e gestantes. A terceira fase, direcionada para pessoas com doenças crônicas e mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias, terá início na próxima segunda-feira, 18. As demais cidades do Estado seguirão o calendário do Ministério da Saúde e começarão a vacinar seus moradores a partir de 30 de abril.

Na capital, condomínios, escolas e até uma concessionária de veículos de luxo organizaram mutirões de vacinação contra o H1N1 em função das longas filas que se formaram nas clínicas particulares.

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