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Praia de Copacabana tem cem covas rasas abertas em protesto contra gestão da pandemia de covid-19

Ação da ONG Rio de Paz simboliza as mortes pelo coronavírus no Brasil e os erros do governo federal na administração da crise; instalação foi vandalizada horas depois

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 09h21
Atualizado 19 de junho de 2020 | 11h39

A praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, foi palco de um protesto na manhã desta quinta-feira, 11, contra a condução da pandemia do novo coronavírus pelo governo federal. A ONG Rio de Paz organizou a abertura de cem covas rasas nas areias da praia, simbolizando as mortes pela covid-19 no Brasil.

O País já tem mais de 40 mil mortes pelo coronavírus. O total de infectados já passa de 775 mil, segundo dados coletados pelo consórcio de imprensa com informações de secretarias estaduais de saúde.

Os organizadores do protesto argumentam que houve uma “sucessão de erros” cometidos pelo governo federal na condução da crise sanitária e pedem mudanças na postura do presidente Jair Bolsonaro em suas manifestações sobre o isolamento social, sobre as mortes provocadas pela doença e sua participação em atos antidemocráticos.

Segundo o presidente do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, se não houver mudança de rumo na condução da crise, o Brasil será o país com o maior número de mortos pela Covid-19.

Ainda durante a manhã, a instalação foi vandalizada. Três homens e uma mulher que passavam pelo local agrediram verbalmente os voluntários que chamavam atenção para as milhares de mortes provocadas pela pandemia do novo coronavírus no Brasil. Um dos agressores derrubou as cruzes que simbolizavam as vítimas fatais da pandemia.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram cenas do distúrbio (assista abaixo). Segundo testemunhas, um senhor que passava pela orla de Copacabana na hora da confusão saiu em defesa do ato, recolocando de pé as cruzes derrubadas na areia, enquanto declarava, emocionado e indignado, ter perdido um filho saudável de apenas 25 anos para a covid-19.

Diante da bronca do pai que perdeu o filho, os agressores se afastaram da instalação. Mas alguns ainda tentaram, aos berros, impedir que o presidente da ONG concedesse entrevista a uma rede de televisão.

Os organizadores do evento informaram que nem os agressores nem o senhor que defendeu a manifestação pela vida se identificaram para os voluntários presentes na ação.  A ONG Rio de Paz esclareceu que é um movimento suprapartidário e que não recebe verbas públicas de qualquer espécie.

 

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