Prazo menor em diagnóstico reduz morte por câncer

A agilidade no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama reduziu em 20% a mortalidade de pacientes com tumores em estágio avançado. Esse é o resultado obtido em São Paulo pelo Hospital Pérola Byington entre 2005 e 2006. Nesse período, a instituição implantou um novo formato de atendimento para esse tipo de câncer. No levantamento foram acompanhadas mais de 12 mil pacientes. Pelo novo sistema, as mulheres que procuram o serviço já ficam sabendo no mesmo dia se têm algum tipo de tumor. Nos casos mais graves, em três semanas elas iniciam a quimioterapia ou fazem cirurgia no próprio hospital. Normalmente, as mulheres atendidas na rede pública de saúde têm de passar por consulta, marcar exames com filas de espera de até nove meses e aguardar para eventual tratamento. O resultado do novo serviço: 74% dos tumores diagnosticados entre 2005 e 2006 foram em estágio inicial (chamado de estágio 1 e 2, com nódulos de 1 cm a 4 cm), o que aumenta as chances de cura. Antes disso, 60% dos tumores encontrados estavam em estágio avançado (3 e 4, com nódulos maiores que 5 cm e elevado índice de metástase). Segundo o médico Luiz Henrique Gebrim, diretor do hospital, em um período de seis meses um pequeno tumor maligno nas mamas pode triplicar de tamanho e comprometer o tratamento. Enquanto nos estágios iniciais a cura chega a 90%, nos estágios avançados esse porcentual cai para 30%. "Na maioria das vezes é o sistema moroso de saúde que causa o retardo no diagnóstico. Então criamos esse sistema, o Centro de Alta Resolução em Especialidades (Care), como um pronto-socorro para o câncer de mama", disse Gebrim. Além disso, o hospital detectou que, em 40% dos atendimentos feitos no período, as mulheres não tinham problema, tendo sido encaminhadas equivocadamente para exames. "Por isso, o sistema de atendimento rápido é importante. Tira a angústia dessas mulheres que não têm nada e alivia a fila de quem tem urgência para ser atendida", explicou o especialista. A Secretaria de Estado da Saúde prevê a expansão da metodologia do Care para pelo menos dois hospitais na capital. No interior, Campinas e Botucatu têm atendimento semelhante. Exame Há um ano, Karolina da Silva Costa, de 19 anos, identificou um nódulo em sua mama direita. Preocupada, procurou um ginecologista, que pediu exame de ultra-som. Moradora de Suzano, Karolina só conseguiu realizar o exame em dezembro. Mas em outubro já tinha outro nódulo, na mama esquerda. "Baseada no tempo que levou o ultra-som, vi que iam demorar demais e vim pra cá", disse Karolina ontem. "Já me adiantaram que não é nada. Volto muito tranqüilizada." Ela chegou ao hospital às 7 horas e às 10 horas estava liberada - já havia feito a consulta médica, o ultra-som e uma punção para biópsia do tumor.

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