Precisamos falar sobre a infertilidade
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Precisamos falar sobre a infertilidade

Dificuldade para engravidar é comum em mulheres a partir dos 35 anos de idade

Grupo Huntington, Estadão Blue Studio
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09 de junho de 2021 | 14h29

Adiar a gravidez é uma decisão tomada por cada vez mais mulheres nos dias de hoje, já que muitas priorizam alcançar a estabilidade financeira e a realização profissional antes de se dedicar à maternidade. Segundo dados do IBGE, essa mudança de prioridades tem impactado na idade em que as mulheres são mães pela primeira vez: desde o fim dos anos 1990, o número de mulheres que tiveram bebês depois dos 40 anos aumentou 88,5% — passou de 48.402, em 1998, para 91.212, em 2018*. Porém, quando os casais decidem que chegou a hora de ter um bebê, também é comum que possam encontrar dificuldades para conseguir engravidar após os 35 anos da mulher, o que pode causar frustração e sofrimento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um casal pode ser considerado infértil quando não usa método contraceptivo e mantém relações sexuais regulares ao longo da semana e, mesmo assim, não obtém sucesso em até um ano de tentativas. Mas esse conceito foi estabelecido quando os casais decidiam ter filhos mais jovens do que hoje, lembra o ginecologista e obstetra Eduardo Leme Alves da Motta, especialista em Reprodução Humana e diretor do Grupo Huntington. “Nessa nova sociedade, onde as pessoas adiam o desejo de gravidez, nós sabemos que o limite de 35 anos para a mulher é fundamental. E a partir daí, nós já devemos rotular os casais com a possibilidade de serem inférteis se houver alguma dificuldade de gravidez, começando imediatamente uma investigação”, afirma.  

Os exames para a avaliação da fertilidade devem ser feitos no casal. Para o homem é pedido um espermograma, exame que estuda a quantidade, a qualidade e a mobilidade dos espermatozoides presentes em seu esperma. Já no caso da mulher, é investigada uma série de possibilidades que podem afetar sua capacidade de engravidar naturalmente, entre elas a falta ou a dificuldade de ovulação, problemas nas trompas, miomas no útero e a endometriose, uma das principais causadoras de infertilidade na mulher.

A endometriose pode causar aderências, ou seja, o útero pode se fixar no intestino e/ou nos ovários e as trompas, assim como na bexiga, por exemplo, causando uma “mudança de posição” dos órgãos reprodutivos dentro da cavidade abdominal da mulher. Isso dificulta o encontro do óvulo com o espermatozoide, tornando a concepção mais difícil, explica a doutora em Ginecologia e especialista em Reprodução Assistida, Michele Panzan. Contudo, o diagnóstico da endometriose não é sinônimo de infertilidade, esclarece. “Muitas pacientes nos procuram e falam: ‘Olha, eu tenho endometriose, eu vim aqui para fertilização in vitro’. E eu pergunto: ‘Mas você está tentando engravidar há quanto tempo?’ E ela fala: ‘Não, ainda não tentei’. Daí eu oriento que tentem engravidar naturalmente e só se não conseguirem nos procurem para iniciar o tratamento”, pondera. Um dos caminhos possíveis para a gravidez em casais com dificuldade para engravidar é a fertilização in vitro (FIV).

Mas o que é FIV?

A fertilização in vitro, conhecida popularmente como “bebê de proveta”, é uma técnica usada há 42 anos no tratamento da infertilidade. “Ela surgiu para ajudar mulheres com problemas nas trompas uterinas, que é onde ocorre o encontro do óvulo e do espermatozoide, a fecundação natural propriamente dita. Mulheres que têm obstrução ou alterações da função das trompas por aderências se beneficiam porque esse ‘encontro’ pode acontecer no laboratório. Também é indicada nos casos em que o homem tem uma quantidade muito pequena de espermatozoides para conseguir fertilizar o óvulo dentro da mulher”, explica a médica Cláudia Gomes Padilla, doutora em Obstetrícia e Ginecologia e especialista em Reprodução Assistida.

Os óvulos, que podem ser da mulher (ou de uma doadora), são fecundados com os espermatozoides do seu parceiro (ou de um doador) em um ambiente de laboratório. Assim que os embriões se mostram viáveis, cerca de cinco dias depois da fecundação, são colocados no útero.

Mas o uso da FIV se ampliou. Casais que têm doenças genéticas ou casos de síndromes na família também podem engravidar com o uso da FIV, já que é possível fazer a análise genética do embrião para identificar se existem as alterações especificas daquele casal ou família antes da transferência para o útero materno. A fertilização in vitro também tem permitido que mulheres com algumas doenças que comprometem a sua capacidade de engravidar naturalmente, como miomas, ovários policísticos e endometriose, baixa reserva de óvulos e até com idade mais avançada possam ter uma gestação. Além disso, a FIV tem sido procurada por casais homoafetivos que querem ter filhos biológicos.

As chances de sucesso variam bastante e têm relação total com a idade da mulher, explica Cláudia Padilla. Nas mulheres que têm até 35 anos, as possibilidades de uma gravidez ocorrer em uma tentativa de FIV ficam entre 55% e 65%. Em mulheres de 35 a 38 anos, são de 45%; de 38 a 40 anos, de 35%. Após os 40 anos, as chances caem drasticamente, para cerca de 15%. Portanto, é comum o casal ter que passar pelo tratamento mais de uma vez para ter sucesso.

O passar dos anos impacta nas possibilidades de as mulheres engravidarem, inclusive entre as que buscam a fertilização in vitro, explica a médica Thais Sanches Domingues Cury, doutora em Reprodução Humana. “A natureza não é muito justa conosco, porque o peso da idade na qualidade e na quantidade dos óvulos é muito impactante. A partir dos 30 anos, as mulheres já começam a ter esse ônus”, explica.

É estimado que a mulher tenha, ao nascer, por volta de 7 milhões de óvulos, valor que cai a 500 mil quando ocorre a primeira menstruação e a apenas 25 mil aos 42 anos de idade. Além de mais escassos, esses gametas também são de menor qualidade. Por isso, congelar os óvulos antes dos 35 anos de idade tem sido uma opção para muitas mulheres que decidem adiar a gestação, mas querem manter suas chances de gravidez mais altas, mesmo se decidirem ter filhos depois dos 40 anos.

#TrintouCongelou

“Toda mulher que está passando dos 30 anos de idade e caminhando para os 35, sem previsão de gestação para um futuro próximo, deveria pensar em congelar óvulos”, afirma o especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Assistida Maurício Barbour Chehin. Segundo o médico, a mulher que fizer o congelamento desse material genético mantém as chances de engravidar da idade que tinha quando esse óvulo foi coletado. “Uma mulher que congelou os óvulos aos 35 anos e decide engravidar aos 42 terá a chance que teria se fizesse uma fertilização in vitro aos 35. A idade em que o óvulo foi congelado é o principal fator de prognóstico de eficácia para uma gestação futura”, explica.

Apesar do congelamento de óvulos poder ajudar as mulheres a ter melhores chances futuras de engravidar, é importante lembrar que nenhuma técnica de tratamento em reprodução assistida é garantia de gravidez. Quem realizar a técnica de congelamento de óvulos deve procurar um especialista em reprodução assistida, que vai realizar uma avaliação da fertilidade dessa mulher e, assim, iniciar o tratamento, que basicamente consiste em induzir a ovulação, aspirar os óvulos e então congelar para uso futuro.

1Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida: Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida | SBRA

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