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Vacina contra a dengue é vendida a preços de R$ 750 a R$ 915

Imunizante produzido pelo laboratório Sanofi Pasteur já está disponível em cidades como São Paulo, Campinas e Porto Alegre; aplicação precisa ser agendada

Priscila Mengue, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 11h21

SÃO PAULO - Autorizada para comercialização na última semana, a primeira vacina da dengue disponível no Brasil é aplicada em clínicas por um preço final que varia de R$ 750 a R$ 915. Liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o imunizante, chamado de Dengvaxia, é produzido pelo laboratório francês Sanofi Pasteur e é disponibilizado para pessoas entre 9 e 45 anos. A aplicação é dividida em três doses, que devem ser aplicadas a cada seis meses.

O valor final do produto representa mais do que o dobro do definido pelo Comitê Técnico Executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), autoridade federal  responsável pela regulação de preços de medicamentos. Segundo a Sanofi, o aumento no custo final se deve às despesas de infraestrutura e mão de obra das instituições de saúde que aplicam a vacina. 

Em São Paulo, ao menos três clínicas já realizam a imunização. O preço mais baixo encontrado pela reportagem do Estado é de R$ 250 por dose, no centro de vacinação Climuni, localizado no bairro de Santana, na zona norte da capital paulista. A Imunobaby, do Belenzinho, e a Digimagem, do Tatuapé, ambas na zona leste, aplicam cada dose por R$ 290 e R$ 305, respectivamente. A média de preços se repete em outras cidades: a Companhia da Vacina, de Campinas, no interior de São Paulo, e a MultiVacinas, de Porto Alegre, cobram R$ 300 por dose, por exemplo. 

A aplicação é realizada apenas mediante agendamento porque a vacina é armazenada em um frasco de cinco doses. Por isso, algumas instituições contatadas pelo Estado ainda não definiram os preços. Outras clínicas relatam que devem receber o imunizante nas próximas semanas, mas a Sanofi não sabe informar quantas cidades ou clínicas já dispõem do produto, que também é comercializado indiretamente por meio de distribuidoras.

A empresária Raquel Bertoncine Rojas, de 38 anos, tem pesquisado clínicas para tomar a vacina e entrou para a fila de espera de uma delas. Ela conta que nunca teve a doença.

"Como viajo muito para a Flórida e para o Rio de Janeiro, não quero correr esse risco. Tenho muito receio."

Atualmente, está em fase de testes uma vacina brasileira desenvolvida pelo Instituto Butantã, do governo paulista. O imunizante está sendo aplicado em voluntários de 13 cidades das cinco regiões brasileiras, mas ainda não tem previsão para ser disponibilizado para a população em geral.

Denúncias. Nesta terça-feira, 2, a Anvisa emitiu um comunicado informando que preços abusivos da dose da vacina devem ser denunciados. Cada dose deve custar entre R$ 132,76 e R$ 138,53, mas as clínicas podem incluir taxas de serviço pela aplicação e pelo armazenamento das vacinas.

A multa para as clínicas que não respeitarem o preço máximo varia entre R$ 590 e R$ 8,9 milhões. Segundo a Anvisa, as denúncias devem ser encaminhadas para o e-mail cmed@anvisa.gov.br com a nota fiscal emitida pela clínica comprovando a cobrança abusiva.

Coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci diz que o consumidor deve pesquisar a clínica onde pretende se vacinar solicitando os preços detalhados da vacina e demais serviços.

"As clínicas não podem aumentar o valor da vacina e a diferença de preço está no serviço oferecido. As pessoas podem consultar as clínicas para ter os valores detalhados para ver qual está com o melhor preço. Os serviços têm preço de mercado, por isso, vale a pena pesquisar." /COLABOROU PAULA FELIX

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