Prédio vizinho a hotel de delegação médica tem foco de Aedes

Lideranças pedem o pagamento de guias cívicos para manter trabalho em favelas cariocas

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2008 | 12h22

O secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, reconheceu que havia focos de larvas de mosquito da dengue no prédio ao lado onde ficaram hospedados médicos do Amazonas, do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso do Sul, na Rua Gomes Freire, no Centro do Rio, mas disse que eles foram transferidos de hotel "principalmente por causa da localização do hotel".  Acompanhe o avanço da dengue Acompanhado do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame e do secretário de Esportes e Turismo, Eduardo Paes, Côrtes pediu a líderes comunitários, em reunião realizada no Maracanãzinho, a mobilização de 4 mil guias cívicos que trabalharam nos Jogos Pan-Americanos e no ParaPan-Americanos no ano passado, para combater a dengue nas favelas cariocas, mas ouviu das lideranças que antes o Estado deve pagar a alguns dos guias que não receberam os três últimos meses da bolsa-auxílio de meio salário mínimo, que até agora não foram depositados.  O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, informou que os recursos para pagar os guias cívicos, entre 14 e 24 anos, viriam da Secretaria Nacional de Segurança Pública e deveriam ser depositados nas contas da Caixa abertas para os guias. Ele prometeu tentar liberar recursos emergenciais junto ao Ministério da Saúde para efetuar o pagamento. Reforço A chegada de 87 médicos e enfermeiros de diferentes partes do País entre domingo e segunda-feira vai possibilitar que a Secretaria Estadual de Saúde antecipe para esta terça-feira, 8, a abertura de dois dos quatro centros de hidratação para o tratamento da dengue que ainda estavam fechados por falta de profissionais, no Rio de Janeiro. Pelo menos mais 15 médicos devem chegar à cidade nesta terça.  Na tarde de segunda, desembarcaram no aeroporto Santos Dumont 48 profissionais de saúde do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). Eles serão lotados na tenda que abre nesta terça no Quartel do Corpo de Bombeiros do Méier, zona norte. Também será inaugurada nesta terça-feira a tenda da Gávea, próxima ao Hospital Miguel Couto, na zona sul. Cada uma delas terá 24 poltronas e capacidade para 300 a 400 atendimentos por dia. Nos próximos dias, mais duas tendas devem começar a funcionar, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, e em Realengo, zona oeste. A secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro confirmou mais uma morte por dengue, totalizando 45 óbitos na cidade e 68 no Estado. Segundo a assessoria de comunicação da secretaria, um menino de 6 anos, morador de Bangu, na zona oeste, morreu na última sexta-feira, 4, em uma clínica particular de Niterói, para onde havia sido levado. Foi o primeiro caso de morte causado pela doença em Niterói, que até o momento não apresenta caso de óbito, por dengue, entre os moradores. Mais salário A presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo, reuniu-se com o secretário Sérgio Côrtes para entregar uma lista com o nome de 271 médicos que se dispõem a trabalhar em plantões de 12 horas ou 24 horas, pelo mesmo valor que será pago aos médicos de fora do Estado (R$ 500). "Ninguém se apresentou antes por causa dos valores irrisórios (R$ 250) que o Estado estava pagando, mas esses valores são razoáveis", disse Márcia Rosa. Desses 271 médicos, 114 são pediatras. "É a nossa maior deficiência, mas com a ajuda dos médicos do Rio vamos conseguir abrir as quatro tendas nos próximos dias", afirmou o secretário.   Reunião extraordinária O governador Sérgio Cabral (PMDB) convocou na segunda-feira, 7, uma reunião extraordinária com todo o seu secretariado para integrar os órgãos do governo no combate à epidemia de dengue no Estado do Rio. Entre as principais medidas está uma força-tarefa para intensificar a coleta de lixo na região metropolitana do Rio, atribuição das prefeituras, e o envio de mensagem à Assembléia Legislativa sugerindo a aprovação de lei que obrigue fabricantes de caixas d'água a venderem tampas avulsas. À tarde, o governador criticou indiretamente o prefeito Cesar Maia (DEM). "Dessa vez é uma ação de emergência. Mas, como temos eleição municipal, não vamos ficar esperando o que a cidade vai fazer para o próximo ano. Temos que assumir essa tarefa para que em 2009 o Rio não viva mais esse tipo de problema, que há 12 anos se repete", disse. Além dos bombeiros, policiais militares também serão mobilizados para o combate ao mosquito. A Polícia Civil convocará os donos de carros apreendidos em seus pátios para retirá-los em 90 dias. Segundo o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, houve melhora na situação das emergências dos hospitais do Rio com a instalação das tendas de hidratação, mas ele ressaltou que não é sinal de retração da epidemia. "Tivemos redução de apenas 5% nos atendimentos."

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