Alex Silva / Estadão
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Covid atinge de forma mais homogênea raças, regiões e classes sociais, aponta Prefeitura de SP

Dados da 2ª fase de inquérito sorológico de 2021 apresentados pela Prefeitura nesta sexta-feira, 12, mostram ainda que taxa de infecção entre quem não respeita quarentena é quase o dobro

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 10h49
Atualizado 12 de fevereiro de 2021 | 15h12

SÃO PAULO - A segunda fase do inquérito sorológico de adultos acima de 18 anos da capital paulista de 2021 divulgada nesta sexta-feira, 12, mostra queda na diferença de casos do novo coronavírus entre pretos e brancos, assim como aproximação das estimativas de prevalência entre as diferentes classes sociais. Além disso, dados apresentados pela Prefeitura, durante coletiva online, apontam ainda que a taxa de infecção entre quem não respeita a quarentena é quase o dobro em relação à parcela da população que cumpre as regras de distanciamento social.

A estimativa de prevalência da contaminação entre pessoas que declararam não sair de casa é de 11,4%, bem menor que os 19,2% entre aqueles que não respeitam as restrições da quarentena na cidade. Entre os que saem para trabalho e atividades necessárias, o índice é de 13,6%. "A prevalência de infecção nos indivíduos que referiram sair de casa para locais não essencias é significativa mais alta. A taxa é praticamente o dobro daqueles que afirmaram não sair de casa", afirma  Edson Aparecido, secretário municipal da Saúde de São Paulo.

Com relação ao contato social, 9,5% não têm contato com amigos e familiares, exceto os que moram no mesmo domicílio. Outros 15,6% têm convívio com grupo restrito de amigos e no trabalho e 20% não restringem contatos, sendo a maior prevalência da doença entre esse último grupo.  

Ainda conforme os dados, a diferença entre raças e cor está diminuindo ao longo das fases. Nessa etapa, 13,6% da população branca testada nesta fase do inquérito sorológico teve contato com o vírus, contra 14,5% de pretos e pardos. Na fase anterior, divulgada em janeiro, os percentuais eram de 12,8% e 15,6%, respectivamente.

Também foi registrada a aproximação das estimativas de prevalência entre as diferentes classes sociais com sobreposição dos intervalos de confiança. Classe A/B registra 14,8%, C apresenta 12,4%, e D e E estão com 15,3%.

Observa-se o mesmo cenário nas estimativas de prevalência por faixas etárias, de 18 a 34 anos (13,9%), de 35 a 49 anos (14,2%), de 50 a 64 anos (15,7%) e de 65 anos ou mais (11,1%).

"Hoje pelo levantamento feito nesse inquérito, mostra-se que a doença se apresenta de forma praticamente igual nas suas taxas de prevalência, em todas as coordenações de saúde do município, ou seja, é possível nós afirmarmos que hoje de maneira clara não há grandes diferenças na presença da doença na cidade. Ela realmente se espalhou no conjunto da cidade", acrescenta o secretário municipal da Saúde de São Paulo.

O estudo aponta também que houve aproximação da prevalência  da doença por bairros de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) Médio e Baixo, com 16,4% e 16,2%, respectivamente. Já nas regiões com IDH alto, a prevalência é bem menor, com registro de 6,3%.

A faixa de escolaridade superior apresenta menor estimativa de prevalência, com 9,9%. Já adultos com ensinos fundamental e médio têm médias de 16,2% e 14,6%, respectivamente.

Os números mostram ainda que permanece estável a taxa de prevalência de anticorpos contra a Sars-Cov-2 entre a população paulistana com índice de 13,9% nesta segunda fase, contra 14,1% na primeira fase.

Os números mostram ainda que houve diminuição das diferenças entre as regiões, com aumento expressivo na prevalência na zona centro-oeste, que passou de 8,1% na fase 1 para 13,2% na fase dois do inquérito. Já os índices em outras regiões são: sul (11,7%), sudeste (14%), norte (14,7%) e leste (17,2%), com pior cenário.

"Da fase 1 para a fase 2, houve a diminuição da diferença entre as regiões da cidade. E um aumento da prevalência sobretudo na região centro-oeste, algo que nós já havíamos apontado no último inquérito sorológico de novembro do ano passado, que foi o aumento nas regiões com IDH alto na cidade", disse Aparecido.

Os resultados também reforçam a necessidade de manutenção das medidas de distanciamento social em todas as regiões do município e classes sociais.

Escolas

Questionado sobre quantidade de alunos em salas de aulas, Covas voltou a afirmar  que não há data definida para permitir o aumento de estudantes em escolas públicas e particulares da capital paulista. O governo de São Paulo autorizou na sexta-feira passada, 5, que escolas privadas aumentassem seus alunos em atividades presenciais para 70%, já que o Estado passou para a fase amarela.

Segundo ele, é preciso aguardar e acompanhar como será o retorno dos 35% dos alunos na rede municipal, que acontecerá na próxima segunda-feira, 15. "Na capital paulista não há distinção entre escolas públicas e privadas. Poderemos aumentar o índice de acordo com primeiros resultados após o retorno às aulas. Somente quando a vigilância sanitária tiver tranquilidade com o retorno dos 35% é que poderemos alterar a quantidade de alunos", afirmou.

"Dados da segunda fase do inquérito sorológico mostram ainda estabilidade da doença na cidade de São Paulo, o que dá mais tranquilidade para o retorno às aulas", disse ainda o prefeito.

Minéa Paschoaleto Fratelli, secretária adjunta na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, acrescenta que as aulas presenciais na rede vão começar na próxima segunda-feira, sendo adotados todos os cuidados para manter o retorno seguro de alunos, educadores e funcionários. "Há um grupo, um comitê de monitoramento, que acompanhará diariamente a situação das escolas em relação ao retorno presencial. É necessário que voltemos com nossas atividades nas escolas", acrescentou. 

Carnaval cancelado em 2021

Durante a coletiva, Covas também descartou a realização do carnaval em 2021. "Neste ano, a cidade de São Paulo também, por conta da pandemia, se soma a várias outras cidades, que já anunciaram isso. Também, infelizmente, não teremos o carnaval aqui na cidade de São Paulo", anunciou.

A capital paulista, seguindo o Estado de São Paulo, já havia cancelado o ponto facultativo do feriado na próxima semana, conforme o decreto nº 60.060 publicado no Diário Oficial no dia 30 de janeiro, assim com desfiles de blocos de rua e escolas de samba no Sambódromo.

Sobre possíveis festas clandestinas durante o carnaval, Covas afirma que a Prefeitura paulistana estará à disposição da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Estado de São Paulo, que é a responsável pela fiscalização.

Programa Ruas SP

A partir deste sábado, 13, de maneira digital, pelo site da secretaria de Urbanismo e Licenciamento, estarão sendo recebidas propostas de bares e restaurantes para que possam estender os seus salões para atendimento ao público, prioritariamente em ruas e calçadas. 

Segundo a pasta, o objetivo do programa é fomentar a retomada das atividades de maneira organizada e segura, respeitando os protocolos sanitários.

"Mesas e cadeiras poderão ser instaladas em vagas de estacionamento regulamentadas nas ruas e quando o estabelecimento não possuir essa vaga na frente de bares e restaurantes, poderão ser utilizadas as calçadas", afirma Cesar Azevedo, secretário municipal de Urbanismo e Licenciamento.

Segundo Azevedo, não é uma liberação da Prefeitura para uso das calçadas, "a ideia é permitir que os estabelecimentos, para que possam cumprir protocolos de segurança, usem o espaço público", disse ao lembrar que não será permitida a instalação de mesas e cadeiras em pontos de ônibus, ciclofaixas, ciclovias e vagas de estacionamento destinadas para idosos. 

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