Uarlen Valério/O Tempo
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Prefeito de BH liga alta de casos de covid a festas e bares e ameaça novo fechamento total

Dez dias após ser reeleito, Kalil disse que poderá prender quem desrespeitar regras impostas pela prefeitura para impedir aglomerações

Leonardo Augusto, especial para o 'Estadão'

25 de novembro de 2020 | 16h33

BELO HORIZONTE - Dez dias após ser reeleito em primeiro turno, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), anunciou nesta quarta-feira, 25, a possibilidade de novo fechamento da cidade para conter casos do novo coronavírus e afirmou que daqui pra frente poderá prender quem desrespeitar as regras impostas pela prefeitura para impedir aglomerações.

Ao mesmo tempo, no entanto, anunciou que vai atender ao pedido de representantes de lojistas e autorizar o funcionamento do setor por três domingos para compras de fim de ano. Os números da prefeitura apontam que, entre 3 de novembro e ontem, 24, a ocupação dos leitos de UTI para pacientes com covid-19 passou de 30,4% para 40,4%. Já o de leitos de enfermagem para quem contraiu a doença passou no período de 27,4% para 38,1%.

O prefeito afirmou que funcionamento irregular de bares e festas pelas cidade, inclusive de cunho familiar, são os responsáveis pelo aumento das contaminações na capital mineira. "A irresponsabilidade, o relaxamento, a falta de empatia e a ignorância podem nos levar a um fechamento total da cidade novamente", apontou.

Belo Horizonte foi uma das primeiras cidades do País a decretar fechamento do comércio durante a pandemia, em 18 de março. Grandes festas estão proibidas na cidade. Bares podem funcionar até as 22h. "Não vamos acreditar que estamos em segunda onda. Estamos na baderna e na irresponsabilidade", disse, durante entrevista coletiva na prefeitura no início da tarde desta quarta.

Kalil disse ter a confirmação da PM de que as prisões de quem não seguir as regras podem ocorrer. Segundo o prefeito, uma nova modalidade de fiscalização começa no fim de semana. "Temos autoridade, segundo informou a PM, pra prender os irresponsáveis, além de fechar os estabelecimentos. A notificação e a 'multinha' acabaram. Agora nós vamos lacrar estabelecimento".

Sobre os três domingos para compras, Kalil disse que o comitê de infectologistas da prefeitura, criado para definição de estratégias de combate ao vírus, autorizou os funcionamento das lojas no período. "Então, boa vontade não tá faltando", declarou o prefeito.

Kalil disse que festas familiares na cidade para 30 pessoas estão produzindo até 15 contaminados com o novo coronavírus. "Ao contrário do que meia dúzia de comerciantes pensam, do que baladeiros pensam, do que síndico de prédio que promove churrasco pensa, a população respondeu na urna o que ela pensa de fechar a cidade".

O prefeito foi reeleito em primeiro no último dia 15 com 63,36% dos votos. O deputado estadual Bruno Engler (PRTB), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que refuta medidas de isolamento para conter o vírus, ficou em segundo lugar, com 9,95% dos votos.

Kalil disse ainda que o aumento na ocupação dos leitos ocorre exatamente no momento em que há "luz no fim do túnel". "Estamos a um mês e meio, dois meses da vacina", argumentou. O prefeito afirmou também que o município está com dinheiro em caixa para comprar "seja qual for" a vacina a ser disponibilizada no País.

Estadão entrou em contato com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e aguarda retorno.

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