Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Prefeito de Campinas se opõe à multa de Doria para quem não usa máscara

Jonas Donizette diz ter pedido ao Estado para que cidades da região pudessem absorver pacientes de covid-19 que moram em municípios do entorno de Campinas: 'Nós estamos pedindo agora uma via de mão dupla'

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 20h17

SOROCABA – O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), discordou do plano do governador João Doria (PSDB) de aplicar multa de R$ 500 a quem for flagrado sem máscara no Estado de São Paulo. No caso de estabelecimentos comerciais, a multa será de R$ 5 mil por pessoa que estiver sem o protetor. Donizette disse preferir uma sanção moral à multa pecuniária. “Em cidades onde multas foram impostas, a autuação foi pequena”, disse. O anúncio das multas foi feito nesta segunda-feira, 29, pelo governador, em live transmitida por redes sociais. A medida será publicada no Diário Oficial.

O prefeito de Campinas disse que não acompanhou a live do governador, mas pretende aplicar o que chamou de multa moral. “Vou usar os jovens que integram o Juventude Conectada (programa municipal) e eles estarão nas ruas para orientar a população sobre a necessidade de proteção. Não existe a multa pecuniária, é tentar fazer com que as pessoas se conscientizem”, continuou. 

Segundo o gestor municipal, se vier a adotar a multa, não será nos valores propostos pelo governador. “Quero algo mais próximo da realidade”, afirmou, lembrando que o governador tem autoridade para tomar as medidas que acha procedentes em relação ao Estado.

Na última sexta-feira, 26, Jonas Donizette informou ter enviado um pedido ao governo estadual para que as cidades da região pudessem absorver parte dos pacientes da covid-19 que moram em municípios do entorno de Campinas. O objetivo seria evitar que o envio desses pacientes para hospitais estaduais em Campinas, como o Hospital das Clínicas e o Ambulatório Médico de Especialidades, causasse sobrecarga na rede hospitalar da cidade, que é polo regional.

Na ocasião, Donizette lembrou que a cidade já havia socorrido a Grande São Paulo quando a pandemia era mais forte no entorno da Capital. “Lá atrás vocês lembram quando São Paulo passou apuros, Campinas recebeu pacientes de Ferraz de Vasconcelos e de Franco da Rocha, cidades da Região Metropolitana. Nós estamos pedindo agora uma via de mão dupla.” Se houver a ajuda, Campinas pretende usar os leitos do HC e AME também para moradores da cidade.

Nesta segunda, Campinas tinha lotação em torno de 90%, com 39 leitos de UTI desocupados. Segundo o secretário Carmino de Souza, a média de permanência em UTI, que era de 20 dias no início da pandemia, caiu para 14 dias. Conforme o secretário, a Secretaria da Saúde do Estado ofereceu leitos em São Paulo para pacientes de Campinas, porém, para a transferência desses pacientes seria necessário um sistema de transporte sanitário exclusivo. Na semana passada, com os leitos da cidade lotados, a prefeitura de Sorocaba transferiu cinco pacientes de covid-19 para hospitais da capital paulista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.