REUTERS/Amanda Perobelli
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Prefeito de São Bernardo ameaça lacrar agências bancárias: 'Não respeitam normas sanitárias'

Orlando Morando, que contraiu coronavírus e se curou da doença, diz que vai endurecer a vigilância na cidade a partir desta quinta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 19h34

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), ameaçou lacrar agências bancárias da cidade que desrespeitarem normas sanitárias. Após contrair o novo coronavírus e se curar da doença, Morando falou que vai endurecer a vigilância a partir desta quinta-feira.

"Queria fazer uma dura crítica ao sistema bancário brasileiro, é um sistema sem a menor responsabilidade com o povo. Enquanto você está vendo supermercados, farmácias e padarias se adaptarem, o banco continua tratando gente como número. Amanhã (quinta) vou por GCM (Guarda Civil Metropolitana) em porta de banco, vou lacrar banco", disse o Morando, em entrevista à Rádio Eldorado.

"Eu, como prefeito de São Bernardo, digo que os usuários dos bancos são desrespeitados pelas agências e seus gerentes. Estão permitindo filas do lado de fora, não fazem nada, acumulam pessoas dentro, não oferecem álcool em gel. Banqueiros: tratem as pessoas como elas merecem, com respeito e dignidade. Eu defendo o modelo liberal e capitalista, não sou socialista, mas respeitem nessa pandemia as pessoas. O sistema bancário brasileiro tem tratado as pessoas como animais, e não vou tolerar mais isso na minha cidade", acrescentou.

Morando lembrou do próprio caso para pedir à população de São Bernardo do Campo permanecer em casa. Aos 45 anos, o prefeito chegou a ser internado na UTI durante o tratamento do coronavírus.

"No começo, a adesão à quarentena foi mais respeitada. Mas as pessoas estão perdendo o sentimento de que a covid-19 pode matar, e eu queria lembrar como uma ex-vítima que isso não é brincadeira. Se eu tivese qualquer comorbidade, possivelmente não estaria aqui hoje", afirmou.

A quarentena continua em São Bernardo do Campo, e até algumas vias da cidade serão fechadas, como a Marechal Deodoro, uma das principais. Apenas serviços essenciais podem funcionar. "Ninguém está de férias, é questão de saúde pública. Queria fazer um apelo para que se mantenham em casa. Começa a me incomodar muito ver gente nas praças, gente batendo perna pela cidade", disse Morando.

"Vamos continuar com a mesma rigidez, porque estamos ouvindo a ciência, não é nada por achismo. Não fechei comércio porque acho que isso é bacana. Estamos ouvindo quem dedicou a vida inteira pelo tema. Mas se bancos e alguns moradores não querem ouvir a ciência por bem, vão ouvir pela lei, por nossos decretos e do cumprimento. Não seremos tolerantes. A partir de amanhã vou subir fortemente as críticas aos bancos, porque não respeitam nenhuma norma sanitária", acrescentou o prefeito.

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