Prefeitura anuncia operação de guerra para combate da dengue em Campinas

Decisão foi tomada após confirmação de uma morte - há outros quatro casos em análise; homens do Exército começam a atuar em Campinas nesta terça-feira, 15

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2014 | 19h12

CAMPINAS - Com 5,1 mil casos de dengue, uma morte e outras quatro em investigação, a prefeitura de Campinas anunciou nesta segunda-feira, 14, uma operação de guerra para conter a proliferação da doença e dar assistência aos infectados. Uma as medidas foi colocar, no atendimento aos doentes, médicos e técnicos que ocupam função de gestores.

"O momento é preocupante e temos de usar todas as armas que temos para enfrentar essa epidemia. A maior preocupação não é com o volume de casos, mas sim com a virulência com que a doença tem atacado", afirmou o secretário municipal de Saúde, Cármino de Souza.

Segundo o titular da pasta, além da quantidade de casos ser muito elevada, a maior preocupação da Saúde é com a gravidade dos casos. "Temos o vírus tipo 1 circulando com casos graves e há ainda uma população que já viveu epidemias subsequentes, o que aumenta o risco."

Do total de contaminados, 173 tiveram a forma mais grave da doença, que oferece maior risco de morte. Até agora, um óbito foi confirmado, mas há outros quatro em análise. São duas pessoas de fora (Santa Bárbara do Oeste e Hortolândia) e duas de Campinas.

Com a explosão da doença, a rede está sobrecarregada na cidade. Por determinação do prefeito Jonas Donizette (PSB), cerca de 80 médicos e técnicos de saúde que ocupam funções de gestão, como diretores de unidades e coordenadores, foram orientados a reforçar os postos e hospitais, atuando diretamente no acolhimento e acompanhamento dos doentes.

"Nossa maior preocupação é com a assistência a essas pessoas", afirmou Cármino. Uma das medidas anunciadas foi a abertura de novos espaços de hidratação para os doentes na rede. O pronto-atendimento do bairro Campo Belo é um dos que já receberam um espaço provisório.

Outra frente foi o pedido para o Ministério da Saúde do apoio da Força Nacional no Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido já foi formalizado e o ministério agendou visita técnica na cidade para os dias 22 e 23. O prefeito, no entanto, busca antecipar essa visita.

Mosquito na mira. Na frente para conter o aumento dos casos de dengue e a proliferação do mosquito transmissor, homens do Exército começam a atuar em Campinas nesta terça-feira, 15, no Jardim Cosmos.

Os 58 homens do 11º Batalhão de Infantaria Blindada (BIL) de Campinas que foram treinados nesta segunda-feira por equipes de saúde da prefeitura saíram às ruas logo cedo para remover entulhos e focos do mosquito e colocar telas em caixas d'água desprotegidas.

"Acredito que não haja resistência da população nessa ação, pois a população de Campinas já está habituada com a presença do exército nesse tipo de atividade", afirmou o major Flavio Mattos.

Para os casos de imóveis fechado ou que o morador se recuse a deixar as equipes entrarem, a prefeitura obteve na sexta-feira da Justiça autorização para entrar nessas residências, com auxílio da Guarda Municipal.

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