Prefeitura confirma segunda morte por dengue na capital

Prefeitura confirma segunda morte por dengue na capital

Menino de 11 anos, morador do Jardim Ângela, estava internado no Hospital das Clínicas desde o dia 25; interior registra mais óbitos

Fabiana Cambricoli e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

16 Março 2015 | 13h26

Atualizada às 20h26

SOROCABA - A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo confirmou nesta segunda-feira, 16, a segunda morte por dengue na capital paulista no ano. A vítima foi um menino de 11 anos, que morava no Jardim Ângela, na zona sul da cidade.

De acordo com a Prefeitura, o garoto já portava outras doenças e estava internado desde 25 de fevereiro no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, onde aguardava um transplante de medula. A reportagem apurou que ele sofria de leucemia. A criança morreu no dia 9 de março. A secretaria não informou se ele foi internado já com sintomas de dengue ou se foi levado à unidade de saúde por outra razão e, apenas posteriormente, apresentou as manifestações clínicas da doença.

A primeira morte de dengue na capital neste ano foi uma mulher de 84 anos, moradora da Brasilândia, zona norte. A região é a mais afetada pela dengue em 2015 e concentra 45% dos casos confirmados até agora. Uma terceira morte suspeita de dengue, de um morador da zona leste, está em investigação. No ano passado, a cidade teve 14 óbitos pela doença.

Nos dois primeiros meses deste ano, a capital paulista já registrou 1.833 casos de dengue, 200% a mais do que no mesmo período do ano passado. Embora a capital ainda não tenha índices de incidência epidêmicos, a Prefeitura estima que o ano será crítico para a doença, com estimativa de 90 mil casos. No ano passado, a capital registrou cerca de 29 mil pessoas infectadas.

Interior. Novos óbitos foram registrados também no interior do Estado, que tem cidades em situação de epidemia. Em Limeira, mais duas mortes com suspeita de dengue foram notificadas no fim de semana. Entre as vítimas está uma médica ginecologista de 60 anos. Agora, a cidade tem oito óbitos em investigação e dois confirmados, causados pela doença, somente este ano. Com 4.079 casos confirmados e 6.763 esperando resultados, está em estado de emergência, em razão da epidemia.

A ginecologista Neyde Harumi Onishi teve a doença diagnosticada no sábado e, após evolução severa no quadro, foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Medical. Ela morreu na tarde de domingo. O hospital comunicou o óbito por dengue à Vigilância Epidemiológica de Limeira, mas a prefeitura informou que aguardará a confirmação da causa pelo Instituto Adolfo Lutz. Ainda no sábado foi registrado o óbito de um homem de 77 anos no Hospital Unimed. Ele tinha diagnóstico positivo para dengue, mas falta confirmar a causa da morte por exame.

Os outros seis óbitos em investigação ocorreram desde 11 de fevereiro e todas as vítimas são mulheres - duas delas, adolescentes de 14 anos. As duas mortes com causa já confirmada também são de mulheres, de 40 e 62 anos respectivamente. Os óbitos, especialmente o que vitimou a médica conhecida na cidade, assustam a população que, ao menor sintoma, corre às unidades de atendimento, que estão lotadas.

Cirurgia suspensa. A gravidade da situação levou três hospitais a suspenderem as cirurgias agendadas, reservando leitos e estrutura para o atendimento de pacientes com dengue severa. O cancelamento, que não envolve casos de urgência, foi feito nos Hospitais Humanitário, Unimed e Santa Casa. Só no último, cerca de 300 procedimentos foram adiados.

O prefeito Paulo Hadich (PSB) pediu ajuda de R$ 1 milhão ao governo estadual para enfrentar a epidemia. A verba será usada em ações de controle do mosquito transmissor. Em reunião com o secretário da Saúde do Estado, David Uip, o prefeito solicitou ainda máquinas para aplicação de inseticidas e treinamento para agentes de saúde.

Em Marília, no centro-oeste do Estado, foram registrados mais 806 casos de dengue em quatro dias. Até ontem, os casos confirmados neste ano somavam 8.046. A prefeitura instalou tendas junto às unidades de saúde para acomodar as pessoas que esperam atendimento. Já são 14 mortes atribuídas à dengue este ano: seis foram confirmadas e oito aguardam o resultado dos exames. 

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