Foto de NELSON ALMEIDA / AFP
Foto de NELSON ALMEIDA / AFP

Prefeitura de Macapá reconhece colapso no sistema de saúde

Lockdown na capital iniciou nesta terça-feira, 19, e segue por dez dias; em Oiapoque, município na fronteira com Guiana Francesa, prefeitura envia carta a 21 países pedindo ajuda

Alcinéa Cavalcante, especial para o Estado

20 de maio de 2020 | 17h55

MACAPÁ - Com pouco mais de 800 mil habitantes, o Amapá registrou até 15h30 desta quarta-feira, 20, 4.549 casos do novo coronavírus - uma das maiores taxas de incidência do vírus no País - e 142 mortes. Mais de 7.500 testes estão em análise laboratorial.

O prefeito de Macapá, Clécio Luís (Rede), afirmou que a saúde já entrou em colapso e que, se o avanço do vírus não for contido, os cemitérios também vão transbordar. São 2.912 casos confirmados na capital amapaense (64% do total do estado) e 82 óbitos pela doença.  

De acordo com o superintendente da Vigilância Sanitária, Dorinaldo Malafaia, disse que a pandemia sequer atingiu seu pico no Amapá, o que deve ocorrer na próxima semana. “De cada cem exames, 70 a 75%, o resultado é positivo para covid”, enfatizou.

Em frente das Unidades Básicas de Saúde (UBS), enormes filas começam a ser montadas ainda na madrugada. São pessoas em busca de remédios receitados ou de atendimento. Uma média de 2,5 mil pessoas procuram por dia as três UBS de Macapá. Nesta quarta-feira, 20, 26 pacientes estão internados nas três UBS da capital à espera de transferências para UTIs do estado.

A Secretaria de Comunicação do Governo não soube informar quantos leitos de UTIs o Amapá dispõe para atender pacientes infectados pelo novo coronavírus. Também não deu retorno sobre a falta de EPIs até o fechamento desta matéria.

Tanto a prefeitura de Macapá como o governo estadual abriram edital para contratação de médicos e enfermeiros, mas a procura foi mínima. Das 50 vagas oferecidas pela prefeitura, apenas quatro foram preenchidas, e das mais de 100 oferecidas pelo governo, apenas duas.

Os demais municípios enfrentam os mesmos problemas. Oiapoque, que fica na fronteira com a Guiana Francesa, tem apenas um respirador para atender uma população de 27 mil habitantes, dos quais oito mil são indígenas. Lá, até esta terça-feira, 19, foram confirmados 83 casos e duas mortes.

A prefeita Maria Orlanda (PSDB) começou a enviar cartas para países mais próximos pedindo ajuda. Nas cartas, ela diz que a burocracia do governo brasileiro para liberação de recursos não acompanha a rapidez da propagação do novo coronavírus.

Isolamento completo

Tudo isso levou os governos estadual e municipal a decretarem lockdown por dez dias, que começou terça-feira, 19. Isso também porque os decretos anteriores de isolamento social não estavam surtindo o efeito esperado. Pelas ruas da cidade, havia pessoas passeando, praticando esportes ou se aglomerando em bares e mercantis, principalmente em bairros afastados do centro, onde não cumpriam o horário estabelecido nos decretos anteriores.

Agora, as medidas se tornaram mais rígidas. Estabelecimentos comerciais que descumprirem o decreto terão seus alvarás de funcionamento cassados - só podem continuar funcionando os classificados como essenciais (supermercados, mercantis, farmácias etc) - e o uso de máscara é obrigatório.

Para diminuir a circulação de pessoas, o decreto estabelece que veículos com placas com terminação em número par só poderão trafegar em dias pares; os que terminam em ímpar, nos dias ímpares. O descumprimento resulta em multa e perda de quatro pontos na CNH. Barreiras da Polícia Militar e da Guarda Municipal foram montadas em quase todos os bairros para fazer cumprir o decreto.

A maior reclamação vem dos empresários do comércio. Na última terça, um grupo de grandes empresários ligados à Federação do Comércio divulgou nota se posicionando contra o lockdown, alegando que cidades, estados e países que adotaram esta medida não tiveram o efeito desejado.

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