Michael Dantas/AFP
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Prefeitura de Manaus recua após gerar polêmica com decisão de empilhar corpos em valas comuns

Antes da pandemia de coronavírus, cidade contabilizava 28 sepultamentos em média por dia e, atualmente, já passam de cem enterros diários

Álisson Castro, especial para o Estado

28 de abril de 2020 | 14h16

MANAUS - Corpos passaram a ser enterrados em valas comuns em Manaus após o aumento de mortes com o início da pandemia do novo coronavírus aliado aos falecimentos que já ocorriam, cotidianamente, na capital do Amazonas. Antes da pandemia, a cidade contabilizava 28 sepultamentos em média por dia e, atualmente, já passam de cem enterros diários. A medida gerou polêmica e a prefeitura avisou que não fará mais o sepultamento em camadas.

Apenas no último final de semana, Manaus registrou 244 sepultamentos ou cremações em que 16 tiveram como causa oficial a covid-19. Segundo a prefeitura de Manaus,  a maior parte dos sepultamentos se deve, segundo registros nos atestados de óbitos, por síndrome ou insuficiência respiratória, além de causas indeterminadas ou desconhecidas.

Na manhã desta terça-feira, 28, a Prefeitura de Manaus informou que não será mais realizado sepultamento em sistema de camadas no cemitério Nossa Senhora Aparecida. Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), dever ser mantido o modelo de trincheiras e a opção do crematório. “O município, por meio de parceria, também passou a oferecer a opção de cremação. Caso a família assine a autorização, irá ao posto de atendimento do crematório, localizado no próprio local, para fazer o agendamento. A urna ficará na câmara do cemitério até o momento do deslocamento para o crematório”, disse em nota.

O enterro em trincheiras tem afetado familiares de mortos na capital. É o caso da estudante universitária Lene Freire, 30 anos, cuja mãe, Sila Freire de Oliveira, faleceu em casa vítima de ataque cardíaco no último domingo, 26. Ela afirmou que só soube do sepultamento em cova comum quando chegou ao Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus. “Achei aquilo um absurdo, não aceitamos esta forma. É o coveiro quem informa a gente e a administração (do cemitério) disse que seria um em cima do outro. Seriam cinco pessoas enterradas em camadas. Quando soubemos disto, juntamos com outros familiares e resolvemos sepultar o corpo em um cemitério particular. Foi o único jeito”, afirmou.

O presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do Amazonas (Sefeam), Manuel Viana, disse que o aumento de sepultamentos mudou o cotidiano da categoria. “Trabalhávamos com 30 enterros por dia, depois subiu para 50 e agora já passa de cem e não baixou mais. Nos cemitérios, é humanamente impossível fazer este volume de sepultamentos, por isto a necessidade das covas. Nosso trabalho é informar os familiares e confortá-los neste momento difícil, mas, infelizmente, há empresas informais que não cumprem esta determinação. Indicamos às empresas que informem os familiares sobre os motivos pelo qual está ocorrendo esta forma de sepultamento”, afirmou.

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