Prefeitura de Ribeirão Preto afasta médicos por falha em diagnóstico

Adolescente morreu com meningite após ser atendida cinco vezes em unidades de saúde de Ribeirão Preto; jovem foi diagnosticada com intoxicação alimentar, virose, torcicolo e caxumba

Rene Moreira, Especial para O Estado

28 Maio 2014 | 15h45

Atualizada às 21h11

FRANCA - A Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto, no interior paulista, afastou nesta quarta-feira, 28, os médicos envolvidos no atendimento a uma adolescente de 16 anos que morreu em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com suspeita de meningite, após passar cinco vezes por três postos de saúde e não ter a doença diagnosticada. A prefeitura não informou quantos profissionais foram afetados pela medida.

Gabriela Zafra sofreu uma parada cardíaca na madrugada do último dia 16. Até então, nenhum exame havia sido pedido para a paciente. A adolescente chegou a receber o diagnóstico de intoxicação alimentar, virose, torcicolo e até caxumba das equipes que a atenderam.

O secretário municipal de Saúde, Stênio Miranda, foi voluntariamente à Câmara Municipal anteontem para prestar esclarecimentos sobre o caso. Segundo Miranda, o afastamento "é uma resposta à família e à população". Ele ressaltou que o diagnóstico de meningite "não é difícil, uma vez que há sintomas que se manifestam como dor de cabeça e vômito".

Miranda foi sabatinado pelos vereadores por mais de duas horas. Questionado sobre a situação do setor de saúde em Ribeirão Preto, o secretário alegou que "faltam médicos para atender à demanda de pacientes".

A prefeitura abriu uma investigação interna. Na Secretaria de Saúde, uma comissão apura como Gabriela foi atendida a cada vez que procurou a rede pública. Para isso, o prontuário da paciente está sendo levantado e será analisado. O caso também é investigado pela Polícia Civil, Ministério Público Estadual (MPE) e Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp).

Manifestação. A morte da adolescente provocou um protesto de cerca de 150 pessoas na frente da prefeitura, na sexta-feira passada.

Depois da manifestação, a prefeita Dárcy Vera (PSD) recebeu em seu gabinete o irmão de Gabriela, o estudante Gustavo Henrique da Silva, de 19 anos. Durante o encontro, Dárcy e o rapaz ficaram de joelhos e a prefeita admitiu que houve falha no atendimento da adolescente e prometeu uma investigação rigorosa.

 

 

 

 

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