Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Prefeitura de São Paulo libera abertura de concessionárias e escritórios em horário reduzido

Atividades poderão funcionar apenas durante quatro horas por dia, e fora do horário de pico na cidade

Ludimila Honorato, Paulo Favero e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 15h34
Atualizado 04 de junho de 2020 | 23h06

A partir desta sexta-feira, 5, concessionárias de veículos e escritórios de prestação de serviços poderão voltar a funcionar na cidade de São Paulo. O prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou que vai assinar ainda nesta quinta-feira, 4, os protocolos para reabertura controlada dos dois setores. As autorizações serão publicadas no Diário Oficial desta sexta-feira, 5, quando as empresas poderão reabrir desde que cumpram as exigências acordadas nos protocolos.

Entre as exigências estão a abertura por no máximo quatro horas por dia, horários de entrada e saída que não coincidam com os horários de pico de trânsito e transporte público da cidade, medidas de higienização dos ambientes, uso de máscaras e álcool em gel, distância mínima de 1,5 metro entre as pessoas, uso de páginas na internet e e-mail para informar as condições a trabalhadores e clientes, entre outros. As empresas terão também de fazer testes em funcionários que apresentem os sintomas da covid-19.

"É importante lembrar que a proposta de protocolo feita pela Fecomercio prevê a testagem em seus funcionários. Estamos falando aqui de uma nova realidade. Para poder funcionar, precisa respeitar os protocolos. São custos que as empresas vão ter para poder operar na cidade de São Paulo. É um momento de exceção, é uma pandemia. Não tem como a prefeitura arcar com os custos de ações que precisam ser implementadas", disse.

"Cada concessionária define quais quatro horas vai funcionar, mas não pode fazer isso dentro do horário de pico, ou seja, precisa ficar no período entre 10h e 17h. Não pode abrir às 7h da manhã, por exemplo, nem funcionar depois das 17h. E isso só vale para o atendimento presencial à população", explicou Bruno Covas, citando que muitas empresas já faziam o atendimento remoto.

Questionado sobre um plano para a manutenção do emprego das mulheres nessa retomada de atividades, Covas disse que "o plano não é único para cada setor. Quando o setor apresenta sua proposta de plano de retomada, ele precisa apresentar o que vai fazer para evitar a demissão das mulheres".

Segundo ele, os dois setores com os quais a Prefeitura vai assinar a proposta previram que as mães serão as últimas a serem chamadas para o trabalho presencial. Os empregadores poderiam providenciar creche também, quando forem liberadas, ou possibilidade de utilização da legislação federal para que não sejam demitidas, mas que contratos possam ser suspensos. Ele ainda lembrou que as creches municipais não estão abertas.

De acordo com o prefeito, foram entregues até agora 74 protocolos. Destes, 42 são de setores que se enquadram na fase dois do plano de reabertura gradual, na qual a cidade está classificada, e 32 de setores que se enquadram nas fases 3, 4 e 5. "Os setores devem colocaborar para levar informação para seus colaboradores e clientes em relação a essas medidas", avisou.

Indagado sobre qual a previsão de que São Paulo seja promovida à fase três, Covas disse esperar que isso aconteça ainda no mês de junho mas pontuou que a classificação depende do governo do Estado.

Covas reforçou que a capital paulista tem 64% de ocupação de leitos de UTI e que já teve até o momento 4.480 óbitos por coronavírus. "É importante destacar que a pandemia continua na cidade de São Paulo. Estamos passando para a fase 2, mas isso não significa que devemos deixar de tomar todas as precauções", avisou.

Ele afimou que, no final de março, o município tinha 176 leitos de UTI para coronavírus, agora está com 1.178 específicos para pessoas com covid-19. "Se não tivesse feito nenhuma ação de ampliação desses leitos, desde 3 de abril teríamos passado pela experiência de escolher quem era atendido e quem não era atendido na cidade de São Paulo", disse.

Exigência de testes provoca impasse

A exigência de testes para os trabalhadores que apresentarem sintomas da covid19 provocou um impasse entre a Prefeitura e o setor do comércio que deve atrasar a reabertura das lojas.

Segundo o vice-presidente da Fecomercio, Ivo Dall'acqua, o setor reconhece a importância dos testes mas não pode obrigar os lojistas a arcar com este encargo.

Por isso, no protocolo de reabertura enviado pela Fecomercio à prefeitura, a realização dos testes aparece como recomendação e não como imposição. De acordo com ele, 98% das empresas do setor são pequenas, com até 20 funcionários, e estão sofrendo com os efeitos da quarentena.

Já a Prefeitura exige que o setor se comprometa a testar todos os funcionários com sintomas do novo coronavírus.

Segundo fontes da administração municipal, devido ao impasse não há previsão para reabertura das lojas até o final da semana que vem. Entre os setores com as negociações mais avançadas está o das imobiliárias. A prefeitura também espera assinar nos próximos dias um protocolo com os supermercados, que funcionam normalmente desde o início da pandemia por se enquadrarem na categoria de atividades essenciais. A ideia é aumentar as medidas de controle e prevenção no setor.

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