André Coelho/ EFE
André Coelho/ EFE

Prefeitura de São Paulo só tem testes de covid para mais 15 dias

Desde o fim de semana, rede municipal faz exames só em pacientes prioritários; espalhamento da variante Ômicron, mais contagiosa, provocou explosão da demanda

Gonçalo Junior e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2022 | 14h24

Os testes de covid-19 da Prefeitura de São Paulo devem durar mais 15 dias, prevê a Secretaria Municipal da Saúde. Nesse período, a pasta espera receber mais kits. Em várias partes do Brasil, gestores públicos e laboratórios privados têm dificuldades para conseguir mais exames, diante da explosão da demanda com o espalhamento da variante Ômicron do coronavírus, mais contagiosa. A rede de saúde da capital paulista definiu no sábado, 15, que só casos considerados prioritários - como gestantes, pacientes com comorbidade e moradores de rua - serão testados. 

“Temos quantidade para mais 15 dias. Até lá, seguramente, os testes que compramos e os testes que serão comprados pelas OSs (Organizações Sociais de Saúde) vão garantir um reabastecimento na rede”, afirmou o secretário municipal de saúde, Edson Aparecido nesta segunda-feira, 17. As OSs são instituições filantrópicas do terceiro setor, responsáveis pelo gerenciamento de serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País, em parceria com as secretarias municipais e estaduais de saúde.

“Fizemos a priorização da testagem para garantir que não faltará testes para os grupos prioritários, que são os sintomáticos, moradores de rua, idosos, puérperas e gestantes, pessoas que estão em situação pré-cirurgia e profissionais. Para esses grupos prioritários, a gente tem teste. Autorizamos as OS a importar testes também”, acrescenta o titular da Saúde municipal. 

As afirmações do secretário foram feitas durante o início oficial da campanha de vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra covid-19 no Hospital Cruz Verde, na zona sul de São Paulo. Nesta primeira etapa da imunização, a capital paulista dá prioridade para quem tenha alguma comorbidade, deficiência permanente (física, sensorial ou intelectual) ou indígenas aldeados e quilombolas.

Embora os casos tenham apresentado leve queda nos últimos dias, Aparecido afirma que ainda não é possível falar em estabilidade. Segundo ele, a média móvel da última semana estava em 5.881 casos. No fim de semana foram 3 mil, mas há subnotificação e atrasos. “Precisamos esperar mais alguns dias, talvez até quarta ou quinta-feira para confirmar se há estabilidade na transmissão”, afirmou o secretário.

O comportamento do número de casos, em sua opinião, também vai influenciar na quantidade de testes necessários. "Se confirmarmos a média móvel dos últimos 15 dias que mostre um processo de estabilidade na transmissão na transmissão da ômicron, vamos precisar de uma quantidade menor de testes", completou Aparecido.

Rede privada também enfrenta problemas de abastecimento

Mais da metade dos laboratórios privados têm estoque de testes para covid e influenza (gripe) para menos de 7 dias e 22,5% deles têm estoque para 15 a 21 dias, sendo que a maioria desses laboratórios encontram-se no interior. Isso é o que mostra pesquisa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) divulgada nesta segunda-feira, 17. 

Além disso, 88% dos laboratórios privados no Estado de São Paulo enfrentam problemas para reposição de testes para covid e influenza. "Não há previsão de prazo para saber até quando poderemos manter o atendimento laboratorial nesses níveis tão elevados, pois os estoques variam muito entre os laboratórios e as regiões, sendo que o desabastecimento atinge mais rapidamente pequenos e médios laboratórios, já que as grandes redes possuem maior capacidade de compra e de estocagem", afirmou o médico Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp.

A pesquisa constatou ainda que o crescimento dos testes para o coronavírus teve aumento de 100% em 92% dos laboratórios pesquisados e de 501% a 1000% em serviços de algumas regiões do interior, como Jacareí e São José do Rio Preto.  Os dados são de 111 laboratórios privados, colhidos na semana entre 10 e 14 de janeiro.

Recentemente, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) alertou para a possibilidade de falta de testes de antígeno e PCR (o molecular, tipo mais preciso), se estoques de insumos necessários para a realização de exames laboratoriais para o diagnóstico da covid-19 não forem repostos rapidamente. 

Carlos Eduardo Gouvêa, presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) afirma que o estoque de laboratórios e farmácias será regularizado ainda neste mês. "Grande parte do volume já está em trânsito e logo nos próximos dias começará a ser liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em rápida consulta aos seis maiores importadores e fabricantes, chegamos a um número superior a 12 milhões de testes vindo para o Brasil", disse. 

Mesmo diante da alta procura, a Abbott, que produz mais de 100 milhões de testes rápidos e PCR de covid-19 por mês, afirma que mantém o compromisso de agilizar a entrega semanal de testes ao mercado brasileiro.

"Continuaremos produzindo e enviando testes de covid-19 o mais rápido possível para manter o fornecimento ao Brasil e ajudar a reduzir a propagação da infecção, reforçando nosso compromisso de mais de 8 décadas com o País", disse, em nota.

Embora não divulgue números específicos de países, a Abbott afirma que houve um aumento significativo na demanda por testes devido às altas taxas de transmissão da variante Ômicron. "No caso do Brasil, desde a segunda quinzena de dezembro foi verificado esse aumento". Somente a Abbott já produziu mais de um bilhão de testes do coronavírus em todo o mundo, desde o início da pandemia.

Em decorrência deste cenário, a Dasa afirma que precisou reorganizar o seu estoque frente à demanda global pelos insumos necessários ao processamento desses testes, para priorizar o atendimento dos pacientes internados e dos profissionais da área de saúde e de serviços essenciais. 

"Estamos nos dedicado e trabalhando incansavelmente para que a capacidade de atendimento seja retomada gradualmente nas unidades", disse, em nota, a rede Dasa.

Por sua vez, o Grupo Fleury disse que segue atendendo seus clientes para realização de exames de covid-19 a partir do agendamento prévio, com base na adequada gestão e fluxo de seus insumos. 

"Entre 13 de dezembro e 12 de janeiro, houve um aumento de 118,39% na quantidade de exames para covid-19 realizados. A positividade passou de 2,78% para 45,45% no mesmo período", informou, em nota.

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