Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Prefeitura de SP estuda ampliar atendimento para tratamento das variantes do novo coronavírus

Atualmente, apenas o Hospital de Pirituba recebe casos de variações, que já são 13 na capital e 25 no Estado

Gonçalo Junior e Mariana Hallal, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2021 | 18h11

A Prefeitura de São Paulo estuda ampliar o atendimento para tratamento de pacientes com as variantes do novo coronavírus. Hoje, apenas o Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria, em Pirituba, zona oeste, recebe pacientes contaminados pela variante brasileira chamada de P1. A primeira medida é a expansão do atendimento no hospital de Pirituba, aumento o número de leitos. Mas outros locais com atendimento exclusivo à covid-19 também podem receber os infectados com a nova cepa.

A Secretaria de Saúde confirmou 13 casos desde janeiro, sendo nove pela variante brasileira do coronavírus, chamada de P1, e quatro do Reino Unido. No estado, já foram identificados 25 casos, 12 deles em Araraquara. Desses, 16 são autóctones, ou seja, pessoas que não viajaram ao Amazonas, onde a nova cepa teve origem no País, nem tiveram contato com quem veio do estado. Outros seis casos suspeitos na cidade aguardam resultado do Instituto Adolf Lutz. A confirmação de novas variantes ocorre por meio de sequenciamento genético, além da investigação epidemiológica dos casos, como históricos de viagens e contatos.

Outro plano da prefeitura para conter o avanço das variações do novo coronavírus é aprofundar o rastreamento das pessoas que tiveram contatos com os pacientes. Isso inclui a testagem dos familiares, dos profissionais de saúde que atenderam os infectados e até dos pacientes hospitalizados nos mesmos locais, uma hora antes e uma hora depois, que os infectados. Quando as pessoas são testadas, os exames são encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz ou para o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

O secretário municipal de Saúde, José Aparecido, afirma que o cadastro dos pacientes que fazem o teste RT-PCR, para identificação da covid-19, também levanta informações sobre viagens recentes para o norte do País. "Os testes das pessoas que relatam viagens para a região Norte são separados e percorrem um caminho diferente, buscando identificar as variantes", diz o secretário. 

O primeiro caso de uma pessoa infectada com a variante de Manaus foi confirmado pela prefeitura na noite de sábado, 13. Trata-se de um paciente que vive no Ipiranga, na zona sul da capital paulista, e que não esteve no Amazonas. A Unidade Básica de Saúde (UBS) da região está monitorando os familiares e as pessoas com quem o paciente teve contato nos cinco dias anteriores à realização do exame que detectou a doença.

Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, não descarta o aparecimento de cepas que ainda não tenham sido descobertas. "Com a circulação exacerbada dos vírus, e pessoas cada vez mais infectadas, o aparecimento de mutações é provável. Deve ter outras variantes que ninguém está testando e algumas podem ser perigosas. O aparecimento de variantes está relacionado à falta de uma política publica de controle da pandemia. Nunca foram feitos testagem em massa, monitoramento e controle de variantes e a adoção de medidas restritivas de mobilidade entre os estados. A falta de um controle sanitário efetivo levou a isso", afirma o especialista. 

Dez leitos

O Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria possui dez leitos reservados e totalmente isolados para os casos da nova cepa. De acordo com o poder municipal, a unidade pode ampliar o espaço se surgirem mais casos. O hospital já atendeu sete casos, entre confirmados e suspeitos. Três vieram a óbito; três receberam alta e um caso continua internado em estado grave em leito de UTI destinado à nova Cepa. José Aparecido avalia que a prefeitura pretende concentrar os casos no Hospital de Pirituba. "Do ponto de vista epidemiológico, é melhor concentrar os casos no mesmo hospital, ampliando os espaços de atendimento, se necessário, em vez de aumentar o número de hospitais", afirma. 

Ainda não há comprovações científicas de que as variantes sejam mais transmissíveis ou provoquem quadros mais graves. Diante da descoberta dos novos, especialistas da Coordenadoria de Vigilância em Saúde de São Paulo recomendam a busca imediata de serviço médico em caso de sintomas da doença como tosse, febre, dor de cabeça, entre outros.

Segundo estudos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Fiocruz Amazonas, a cepa teria surgido em Manaus em dezembro e vem se disseminando com rapidez. A variante tem mutações importantes na proteína spike, responsável por permitir a entrada do patógeno nas células humanas.

Para o epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, é preciso que haja medidas mais rigorosas para o controle do coronavírus. Para conter as novas cepas, o especialista defende medidas como lockdown e vacinação em massa em Manaus. "A primeira medida (para conter as variantes) é radicalizar todas as medidas de distanciamento social  e de uso de máscaras. A segunda é manter em todo o País um sistema de vigilância diárias das novas cepas. A terceira seria um cordão sanitário em Manaus, acompanhado de medidas como lockdown local e vacinação em massa na cidade, algo com um milhão de doses agora e depois em quinze dias", exemplifica. 

O secretário de Saúde de São Paulo afirma que as medidas ideais vão além do alcance municipal e envolvem a mobilidade dentro do País. "O ideal seria ter uma ação mais ampla de monitoramento e controle da movimentação das pessoas, não só no município. Temos três grandes aeroportos (Guarulhos, Campinas e Congonhas) dentro do Estado de São Paulo. Isso não depende só da cidade de São Paulo", avalia. 

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