Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Prefeitura de SP pede ajuda do Exército para combater a dengue

Agentes não conseguem entrar em 20% das casas; Limão será o 1º bairro a receber visitas de agentes acompanhados de militares

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

16 Abril 2015 | 13h50

Atualizada às 22h24

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo pediu ajuda ao Exército no combate à dengue na capital paulista. Em até dez dias, os 50 soldados solicitados pelo prefeito Fernando Haddad (PT) devem estar treinados para entrar nas casas, acompanhando agentes de saúde e da Vigilância Sanitária. 

O secretário adjunto da Saúde, Paulo Puccini, afirmou que a Prefeitura não consegue entrar em cerca de 20% das residências. “Perto dos 2.500 agentes municipais (da Vigilância Sanitária), 50 militares é pouco. Mas a qualidade que a presença (do Exército) dá, a credibilidade que possa transmitir ao morador para abrir o seu lar, isso qualifica a nossa equipe. Dá um novo tom.” No trabalho de combate aos focos da dengue na cidade, há ainda 7 mil agentes de saúde. 

Os soldados vão ser direcionados para os bairros com maiores índices de violência, onde, segundo Haddad, há resistência dos moradores em abrir a porta para os agentes. Nesta quinta, o Estado mostrou que a dengue tem causado superlotação e alterado a rotina de pelo menos dez hospitais privados da capital. Para suprir a demanda, as instituições contrataram mais médicos. Mesmo assim, pacientes chegam a esperar até 6 horas por atendimento.

De acordo com o Comando Militar do Sudeste, o treinamento dos soldados será na quarta-feira. O primeiro bairro a contar com o reforço será o Limão, na zona norte, um dos mais atingidos na capital. 

Os soldados entrarão em dupla com os agentes nas residências para identificar os criadouros do mosquito. “Estaremos sem armamentos. Este é um procedimento adotado em ações subsidiárias. Estamos atuando como mão amiga, desarmados”, afirmou o coronel Ricardo Piai Carmona, chefe de Comunicação do Comando Militar do Sudeste. 

Segundo Haddad, o apoio do Exército vai garantir mais “respaldo” às operações. “Queremos usar esses profissionais mais qualitativamente. Porque, em alguns bairros, sobretudo onde há muita violência, a pessoa às vezes se recusa a abrir as portas para a Vigilância Sanitária”, disse o prefeito. “Então, não é um problema quantitativo, é qualitativo. Se a pessoa (agente) está acompanhada de um soldado, o morador se sente mais seguro para abrir.” O prefeito fez ainda um apelo a organizações sociais interessadas em colaborar. 

Dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que São Paulo registra 12 casos da doença por hora. No primeiro trimestre de 2015, a cidade atingiu o triplo de casos do ano passado: 8.063, ante 3.183 no mesmo período de 2014.
Tendas. Nesta quinta, a Prefeitura também instalou uma tenda na Lapa, zona oeste, ao lado do Hospital Sorocabano. Já são seis equipamentos em funcionamento, com capacidade para o atendimento diário de até 200 pessoas em cada um.

Na zona norte, há três: a tenda da Brasilândia, ao lado da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vista Alegre; a da Freguesia do Ó, no Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) Vila Palmeiras; e uma no Jaraguá, na AMA/UBS Elísio Teixeira Leite. Na zona sul, são duas em funcionamento: no interior da Subprefeitura de Cidade Ademar e outra anexa ao Hospital M’Boi Mirim.

Até a semana que vem, serão instaladas mais três tendas. Na zona oeste, haverá uma no Hospital Professor Mario Degni, no Rio Pequeno. A zona leste ganhará duas: na Vila Nova Manchester, no Carrão; e em Itaquera, anexa ao Hospital Professor Waldomiro de Paula.

Em 15 dias, dez cidades do interior solicitam militares

São Paulo se soma a outros dez municípios do interior que, somente nos últimos 15 dias, pediram um total de 630 soldados ao Exército para ajudar no combate à dengue. Parte dessas cidades já vive epidemia, como Sorocaba, Campinas, Mogi Mirim e Lins. Segundo o Comando Militar do Sudeste, os municípios que solicitaram o maior número de soldados são Mogi Mirim, Marília e Sorocaba, com 100 homens cada. Sorocaba chegou a 42,3 mil casos de dengue e 15 mortes confirmadas. A cidade apresenta a maior notificação de casos no Estado. 

Bebedouro, Jaboticabal e Garça receberam 50 militares cada uma, mas o apoio do Exército já se encerrou. Campinas, com 22,5 mil casos confirmados e quatro mortes, recebeu 60 soldados. Mais duas mortes com suspeita de dengue foram registradas nesta quinta em Limeira, na região de Campinas, segundo boletim divulgado pela prefeitura. Agora, são 7 mortes sob investigação e 12 confirmadas. A cidade tem 23.892 casos notificados e 7.010 confirmados - e está em situação de emergência.

Lins, que também vive situação epidêmica, solicitou 30 militares. Dez já estão nas ruas e foram recebidos com aplausos pelos moradores nesta quinta. A cidade registrou 673 casos neste ano, um a cada 106 habitantes. E Pirassununga ganhou reforço da Força Aérea Brasileira (FAB), além de 30 militares. Caçapava recebeu 10 homens. / JOSÉ MARIA TOMAZELA

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