JOSÉ PONTES LUCIO/ESTADAO
JOSÉ PONTES LUCIO/ESTADAO

Prefeitura vai fazer unidade de saúde em prédio de fibra de vidro

Ao menos duas UBSs e dez Hospitais Dia da Rede Hora Certa devem seguir o novo modelo; associação critica medida

Fabiana Cambricoli e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 03h00

Atualizado às 19h25 para correção de informações

O novo secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, vai usar modelos de casas pré-fabricadas para construir novas unidades de saúde na capital. Esse tipo de construção, de fibra de vidro, é uma tentativa de melhorar os indicadores da área que tem uma das piores avaliações da administração municipal, com 6,5% do investimento previsto para as metas usado até junho. Neste mesmo mês, a gestão Haddad só havia entregue 19 das 146 unidades novas ou reformadas prometidas.

Padilha, porém, admite que não conseguirá colocar em funcionamento todas as unidades que o prefeito prometeu em campanha. No caso das 43 UBSs previstas, por exemplo, 27 deverão estar abertas até o fim do mandato, no ano que vem. As demais estarão em obras. Os três hospitais previstos funcionarão apenas parcialmente. Das 32 unidades da Rede Hora Certa prometidas, que ofereceriam atendimento com especialistas, oito estão em funcionamento. Em fevereiro, último dado disponível, mais de 600 mil pessoas aguardavam algum tipo de atendimento na cidade.

Com os atrasos nas licitações e a crise econômica enfrentada pela Prefeitura, pelo menos duas UBSs e dez Hospitais Dia da Rede Hora Certa terão estrutura de uma unidade móvel, mais barata: ela sai por entre R$ 700 mil e R$ 900 mil, enquanto uma unidade tradicional consome de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões. Além disso, o modelo pré-fabricado leva, no máximo, 40 dias para ser erguido, enquanto a construção de alvenaria demora um ano para ficar pronta.

“É um equipamento que a gente, na época do ministério, usou muito para as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). É como se fosse uma casa pré-fabricada com material apropriado para área hospitalar, um tipo de fibra. Você sobe rapidamente”, disse.

Presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Florisval Meinão vê a medida com pessimismo. “É uma medida emergencial para tentar salvar uma gestão de saúde muito pobre”, afirma.

Especialidades. Para tentar diminuir a fila de 600 mil pessoas, Padilha pretende adotar na capital paulista um serviço em que médicos da Prefeitura de diversas especialidades darão auxílio a distância aos clínicos dos postos de saúde na resolução de casos, por telefone e online.

“Hoje temos uma plataforma que faz esse trabalho com acompanhamento das gestantes de alto risco. Essa plataforma pode ser rapidamente ampliada para outras especialidades”, afirma o secretário.

Segundo Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP, o serviço a distância costuma ser usado apenas em áreas remotas do País, sem acesso a especialistas. “Não entendo muito bem qual é a ideia deles ao fazer isso. O certo seria ter serviços de retaguarda suficientes”, diz. 

Para o especialista, as ações podem trazer um benefício apenas pontual, mas estão longe de ser uma solução permanente para a dificuldade de acesso ao sistema de saúde. “Está me parecendo mais um conjunto de medidas de marketing e que podem até ser úteis, mas não são medidas que vão atender a enorme demanda reprimida de pacientes que existe hoje.” 

Mais conteúdo sobre:
Mais Médicos Alexandre Padilha

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.