Prematuros podem precisar de cuidados extras por toda a infância, diz estudo

Estudo avalia desenvolvimento de prematuros aos cinco anos de idade.

Da BBC Brasil, BBC

08 de março de 2008 | 04h40

Um terço dos bebês nascidos entre a 29ª e 33ª semanas de gestação ainda precisam de cuidados especiais no quinto ano de vida, sugere um estudo francês publicado pela revista especializada Lancet.A gestação completa deve chegar a 40 semanas, e já é sabido que o nascimento muito prematuro pode levar a problemas físicos ou dificuldades de aprendizado na infância. O estudo, porém, mostra que mesmo alguns bebês nascidos aos sete meses de gestação ainda têm necessidades especiais.Segundo a organização britânica Bliss, de assistência a prematuros e a pais de prematuros, o estudo mostra a necessidade de um bom acompanhamento médico para os prematuros.Em 2005, 210 mil bebês nasceram com menos de 37 semanas de gestação no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. As taxas de sobrevivência são cada vez mais altas, com os avanços tecnológicos, o que levanta questões sobre os problemas de desenvolvimento.CustosOs pesquisadores da Unidade de Pesquisa Inserm sobre Saúde Perinatal e Saúde da Mulher, em Villejuif, na França, e da Universidade Pierre et Marie Curie - Paris compararam o desenvolvimento de 1.800 bebês nascidos antes de 33 semanas de gestação e 400 bebês nascidos na data esperada. O chamado estudo Epipage (Estudo Epidemiológico sobre Baixas Idades Gestacionais, na sigla em francês) avaliou as crianças aos cinco anos de idade, examinando a saúde física e por meio da aplicação de testes de memória e compreensão.A deficiência foi medida em três graus - severo, moderado e menor - e os índices foram mais altos entre os bebês nascidos antes de completar 28 semanas de gestação, afetando 49% - ou 195 bebês.Mas o número real de crianças com deficiências foi mais alto entre as crianças nascidas entre 29 e 33 semanas de gestação - 441 ou 36% dos bebês.Os pesquisadores encontraram um padrão semelhante no uso de serviços de saúde especializados, como fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional ou centros de atividades para as crianças com deficiências mais severas.Os recursos são usados por 42% das crianças nascidas entre a 22ª e a 28ª semana de gestação, mas por apenas 31% das crianças nascidas entre a 29ª e a 33ª semana, em comparação a 16% das crianças nascidas no período normal de gestação.Necessidade de apoioOs autores do estudo afirmam que "os resultados levantam questões sobre saúde e serviços de reabilitação, e o custo desses serviços para as famílias e sociedades". "Mais pesquisas são necessárias para identificar as melhores e mais eficientes intervenções no desenvolvimento inicial para melhorar a prognose funcional de deficiências motoras.""Ao crescer, as crianças com deficiências cognitivas vão ter dificuldades na escola e vão precisar de ajuda ou educação especial", diz o estudo.Mas os autores afirmam que são necessárias novas pesquisas sobre que intervenções podem ajudar o aprendizado e compreensão das crianças a medida que elas se desenvolvem.A médica Mary Jane Platt, especialista em saúde pública da Universidade de Liverpool, na Grã-Bretanha, disse que o nível de deficiência é importante, mas acrescentou: "Há um grupo significativo que apresenta algum tipo de dificuldade cognitiva que não é necessariamente uma deficiência"."Nós precisamos saber mais como essas dificuldades afetam essas crianças e como dar apoio a elas."Ela acrescentou que "o estudo nos lembra que as crianças nascidas antes de 33 semanas precisam de cuidado e apoio que vai muito além da 'alta' da unidade de terapia neonatal". Uma porta-voz da organização Bliss disse que o fato de que 61% dos bebês prematuros não apresentaram nenhuma deficiência é encorajador, mas que o estudo enfatiza a necessidade do acompanhamento das crianças.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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