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Contra zika, Dilma quer que ministros encurtem carnaval e fará reunião

Presidente deve participar pessoalmente de conscientização de campanha de conscientização das Forças Armadas no Rio

Carla Araújo e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2016 | 14h20

BRASÍLIA - Após informações sobre a possibilidade de o zika vírus ser transmitido pela saliva e pela urina, a presidente Dilma Rousseff pediu aos seus ministros para que encurtem o feriado do carnaval e estejam em Brasília no início da semana. A presidente já convocou uma reunião sobre o assunto na Quarta-feira de Cinzas, às 14 horas.

Dilma deve viajar nesta sexta-feira, 5, para Porto Alegre, mas deve voltar no domingo, 7, para acompanhar as ações em torno do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, do zika vírus e da chikungunya. Segundo interlocutores, a presidente está bastante preocupada com o avanço da doença, especialmente com o aumento número de casos de bebês com microcefalia.

Em uma demonstração de como está atenta à questão, Dilma deve participar pessoalmente da campanha de conscientização das Forças Armadas no próximo dia 13. A ideia é que a presidente vá a algumas casas conversar com moradores sobre as medidas que devem ser tomadas para eliminar o mosquito. Ela deverá participar da visita a residências no Rio de Janeiro, cidade que está no centro das preocupações do governo por causa da Olimpíada.

Saliva e urina. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informaram nesta sexta-feira que isolaram o vírus zika ativo na saliva e na urina. Ainda não é possível informar se a transmissão da doença se dá por esses fluidos, mas a instituição recomenda que grávidas aumentem os cuidados e sugeriram que pessoas infectadas não beijem e compartilhem objetos como talheres.

Em conjunto, Ministério da Ciência e Tecnologia e Saúde desenvolveram um projeto que será apresentado na reunião de quarta-feira, 10, com uma série de medidas relacionadas ao surto da doença. Além de estudos relacionados ao desenvolvimento da vacina, o projeto prevê, por exemplo, um estudo de assistência para as famílias com crianças com microcefalia.

Aborto e contraceptivos. Nesta sexta-feira também, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu a liberalização do aborto e dos contraceptivos nos países mais atingidos pela zika, que pode provocar má-formação congênita em bebês em caso de contaminação de mulheres grávidas. A recomendação foi anunciada em Genebra, na Suíça, e leva em consideração legislações nacionais como a do Brasil, que não autorizam a interrupção da gravidez. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já se manifestou contrária essa opção e disse que o surto não justifica a defesa da interrupção da gravidez.

Nesta semana, a presidente foi à TV fazer um apelo pela mobilização nacional pela luta contra o mosquito. "Vamos provar, mais uma vez, que o Brasil é forte, tem um povo consciente, e não será derrotado por um mosquito e pelo vírus que ele carrega", disse. 

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