Steve Parsons/Pool via REUTERS
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Presença de proteína pode apontar risco de casos graves de covid-19, aponta estudo

Pacientes com chances de desenvolver um grau mais acentuado da doença poderiam ser diagnosticados precocemente testando o nível calprotectina no sangue

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 11h23

Uma proteína produzida pelo corpo durante a infecção pelo novo coronavírus, a calprotectina, pode desempenhar um papel significativo em casos graves da covid-19 e atacá-la pode ajudar a combater o agravamento da doença, diz um estudo de pesquisadores franceses. De acordo com a pesquisa, publicado na revista Cell na quinta-feira, 6, existe uma taxa muito alta desse componente em pacientes graves.

"Nossos resultados sugerem que a calprotectina pode ser responsável pelo agravamento da covid-19", disse o principal autor do estudo, o pesquisador de Imunologia Aymeric Silvin, em comunicado.

Muitos trabalhos em todo o mundo procuram entender melhor os mecanismos da "tempestade de citocinas", uma reação inflamatória descontrolada e excessiva, implicada em formas graves de coronavírus. "O aumento acentuado da calprotectina no sangue pode ser descoberta antes da tempestade de citocinas associada à inflamação em pacientes que desenvolvem uma forma grave", acrescentou Silvin.

Assim, os pacientes com risco de desenvolver um grau mais acentuado da doença poderiam ser diagnosticados precocemente testando o nível da proteína no organismo, de acordo com a declaração das organizações francesas por trás dessas investigações (Gustave Roussy, AP-HP, Inserm), em colaboração com equipes estrangeiras da Cingapura, China e Israel.

Por outro lado, essa trilha poderia fornecer "uma abordagem terapêutica inédita", uma vez que o bloqueio do receptor de calprotectina poderia ajudar a combater o agravamento da doença. "Essas estratégias devem ser avaliadas com testes químicos", diz o comunicado.

O estudo fez a análise sanguínea de 158 pessoas internadas no pronto-socorro por suspeita de covid-19. Em pacientes mais graves, além da alta taxa de calciprotectina, os testes revelaram função anormal de certos glóbulos brancos, enfraquecendo a resposta imune. Portanto, segundo os pesquisadores, analisar esses dois fatores na internação de um paciente poderia ajudar a identificar o risco de adquirir formas mais intensas.

"O diagnóstico precoce de uma forma grave de covid-19 pode ser feito em um tubo de sangue", disse Michaela Fontenay, chefe do Departamento de Hematologia Biológica do Hospital Cochin, em Paris.

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