REUTERS/Amanda Perobelli
REUTERS/Amanda Perobelli

Prevalência do coronavírus no Brasil dobrou em um mês, mostra estudo

Pesquisa coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) indica salto de 1,9% para 3,8% entre maio e junho

Guilherme Bianchini e Sandy Oliveira, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2020 | 23h59

A prevalência da covid-19 no Brasil dobrou de 1,9% para 3,8% entre maio e junho, segundo estudo epidemiológico coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A instituição divulgou o dado nesta quinta-feira, 2, ao publicar os resultados definitivos da pesquisa Epicovid-19, que realizou testes sorológicos — para detectar anticorpos do novo coronavírus — em 89.397 pessoas ao redor de todos os Estados do País, em 133 cidades. 

De acordo com o levantamento, a taxa de letalidade da covid-19 no Brasil está na casa de 1,15% — cerca de um a cada cem infectados morre após contrair a doença. A estatística se baseia em números oficiais de óbitos até o dia 20 de junho. Para Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador da pesquisa, o valor está bem próximo da realidade. "Eu, como epidemiologista, tenho muita confiança nesse número. É bastante sólido", ressaltou.

O estudo também indica que o distanciamento social está em queda no País. Entre maio e junho, a porcentagem de pessoas que afirmam ficar sempre em casa caiu de 23,1% para 18,9%. Já as que disseram sair diariamente saltaram de 20,2% para 26,2%.

A prevalência do coronavírus na parcela mais pobre da população é mais de duas vezes maior do que na parte mais rica. O estudo epidemiológico mostrou que 4,1% das pessoas no nível socioeconômico mais baixo (atribuído como Q1) foram expostas ao vírus, ao passo que apenas 1,8% do Q5 (o nível mais alto) se infectou. A porcentagem diminui conforme o nível socioeconômico é mais alto. Dessa forma, o Q2 apresentou 4% de prevalência; o Q3, 3,5%; e o Q4, 3,2%.

“Uma grande explicação é a questão da aglomeração, da quantidade de cômodos e do número de moradores (na população mais pobre). Vamos explorar esse tema ao longo das próximas semanas e meses", explicou Hallal.

Ainda de acordo com a pesquisa, a estimativa é de que possa haver até seis vezes mais infectados do que os casos confirmados. Nesta quinta-feira, o Brasil chegou à marca de 1.501.353 contaminações, segundo dados do levantamento realizado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL junto às secretariais estaduais de Saúde.

O coordenador do estudo ressalta, porém, que não se trata de uma multiplicação simples para saber o número real de casos do novo coronavírus no País. "Nossa amostra é de 133 cidades e representa um terço do Brasil. O que dá para dizer é que o número é muito maior do que aparece nos casos confirmados".

A pesquisa

O estudo epidemiológico conduzido pela UFPel, anunciado como o maior do mundo sobre a covid-19, foi dividido em três fases. A primera, que havia estimado a prevalência em 1,9%, se deu entre 14 e 21 de maio. Na segunda, de 4 a 7 de junho, a porcentagem chegou a 3,1% — um aumento de 53%. A terceira, por fim, aconteceu entre 21 e 24 de junho.

O Epicovid-19 concluiu que existem mais pacientes com sintomas leves do que assintomáticos no Brasil. No levantamento, apenas 9% dos infectados contraíram o vírus sem manifestar sintomas da doença. Alteração de olfato e paladar (62,9%), dor de cabeça (62,2%) e febre (56,2%) foram os sintomas mais frequentes relatados.

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