DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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DF corrige registro de primeira morte por covid-19 e diz que vítima testou negativo para doença

'Desencontro de informações se deu, em virtude da indicação de suspeita da doença no atestado de óbito que, em si só, não confirma a causa morte', esclarece governo

Felipe Frazão e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2020 | 03h14
Atualizado 28 de março de 2020 | 10h33

O governo do Distrito Federal, informou neste sábado que errou ao divulgar o registro da primeira morte por covid-19 na última sexta-feira. De acordo com o DF, o homem possuía suspeita de novo coronavírus na certidão de óbito, mas testou negativo para o novo coronavírus.

"A Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal informa que o caso amplamente divulgado na noite de ontem (27), como sendo a primeira vítima do covid-19 no DF, testou negativo em exame definitivo realizado pelo Laboratório Central (Lacen) segundo teste molecular para detecção de SAR-COV2 por reação de PCR em tempo real utilizando o protocolo Berlim", diz o texto.

"O desencontro de informações se deu, em virtude da indicação de suspeita da doença no atestado de óbito que, em si só, não confirma a causa morte. Portanto, o Distrito Federal continua sem nenhum óbito registrado até o momento", esclarece a nota da assessoria de imprensa do governo.

Segundo dados da Secretaria de Saúde, o DF possui 242 casos ativos de novo coronavírus. Na sexta-feira, a informação divulgada era de que a primeira vítima da covid-19 no Distrito Federal teria sido de um indígena da etnia Pareci. Um homem de 46 anos, que não vivia em uma aldeia, conforme a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde.

O indígena morava desde fevereiro na capital federal, em um assentamento na Rota do Cavalo, zona rural. No local, vivem moradores indígenas e não-indígenas. Ele era natural de Cáceres (MT) e antes vivia em São Carlos (SP). Deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento em Sobradinho, com febre e dificuldade de respiração e tinha histórico de hipertensão e diabetes.

Aldeias

Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas estão em alerta, em fase de contenção da covid-19. Atualmente, há 13 casos considerados como suspeitos de infecção pelo novo coronavírus em  acompanhamento pela Secretaria Especial de Saúde Indígena. Sete deles são de índios que vivem nas regiões Sul e Sudeste do País, nos distritos Interior Sul (4) e Litoral Sul (3). 

Outras duas suspeitas de infecção de xavantes já foram descartadas pelo Ministério da Saúde, indica o mais recente boletim epidemiológico. 

A secretaria orientou os indígenas a evitarem deslocamentos das aldeias a centros urbanos, assim como não permitirem a entrada de pessoas externas em suas terras. Conforme o ministério, 800 mil indígenas vivem em aldeias sob responsabilidade de atendimento dos 34 distritos sanitários especiais em todo o País.

Fronteiras

A maior suscetibilidade dos indígenas a infecções respiratórias foi usada pela secretaria para pedir o fechamento de fronteiras e medidas efetivas para garantir a efetiva proibição da entrada de estrangeiros.

Conforme dados do ministério, 79 mil índios vivem em terras Yanomami e do Leste de Roraima, perto da Venezuela e da Guiana; 76 mil índios, na região do Alto Solimões e Vale do Javari, próximo ao Peru e à Colômbia. Outros 13 mil estão na região do Amapá e Norte do Pará, vizinhas à Guiana Francesa.

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