Primeira mulher a transplantar rosto está 'perto' de dar beijo

Após transplante, médica havia dito que a única dúvida era se um dia Dinoire conseguiria beijar novamente

Efe,

30 de setembro de 2007 | 22h22

Isabelle Dinoire, a primeira mulher no mundo a receber um transplante parcial de rosto, já "quase" pode dar um beijo, segundo Nöelle Châtelet, autora de um livro sobre o caso. A publicação, intitulada "Le baiser d'Isabelle" ("O beijo de Isabelle", em tradução livre), vai chegar às livrarias nesta quinta-feira, 4. Châtelet, que se considera uma "escritora testemunha" apaixonada pelo corpo humano, afirma ao Journal du Dimanche que ficou fascinada pela "metamorfose" de Dinoire, mutilada por seu cachorro em maio de 2005 e que chegou a ficar em coma induzido. Por conta do ocorrido, Dinoire passou meses com o rosto escondido por uma máscara. Em 27 de novembro de 2005, em Amiens, no norte da França, uma equipe médica transplantou parte do rosto - nariz, lábios e queixo - de outra mulher para Dinoire. Châtelet, que desenvolveu laços muito fortes com a paciente ao longo das várias reuniões que teve com ela, entrevistou várias vezes, ao longo de 18 meses, as duas equipes médicas responsáveis pela inédita operação, uma de Amiens e outra de Lyon. Sylvie, médica e confidente de Dinoire - de quem recebeu um "obrigada" no dia seguinte à operação -, tinha dito que a única coisa que não estava certa era se, um dia, a transplantada conseguiria dar um beijo de novo. Dinoire treinou diariamente os músculos da parte operada do rosto, a mesma que os bebês utilizam para mamar, e agora quase consegue beijar, diz a autora do livro. Quase dois anos depois da cirurgia, a francesa "vai bem". "Ela come, bebe e sorri como qualquer pessoa", afirma a escritora. A sensibilidade do novo rosto de Dinoire é perfeita, afirmaram os médicos num congresso sobre transplantes na Áustria, no início do mês. Para Noelle Châtelet, o que se viu foi "um renascimento que vai muito além da reconstrução física" de Dinoire, que agora é "depositária da doação de uma outra pessoa, o que, evidentemente, a torna muito mais forte". Isabelle pensa "todo dia" na doadora morta como "uma gêmea", com quem, após a operação, costumava conversar e a quem agradecia. Nos relatos para o livro, a francesa lembra o dia em que descobriu que cresciam pêlos em seu queixo, o que nunca tinha ocorrido em seu próprio rosto. Na opinião dela, isso mostra que a doadora está "sempre ali". Apesar da ajuda de psiquiatras, Dinoire às vezes se sente perdida na busca por uma identidade e se preocupa com a renovação de seu registro civil, uma vez que, no dia em que tiver que tirar uma foto atual, terá "ido embora de verdade". Até hoje, a francesa continua indo uma vez por semana ao hospital de Amiens para sessões de fisioterapia e para se consultar com médicos e o psiquiatra. Ela também vai periodicamente ao hospital de Lyon para seguir seu tratamnto imunossupressor, que vai se prolongar por toda a sua vida. Os médicos dizem que, após dois episódios de rejeição no ano passado, tudo vai bem agora.

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